Roberto Stavale
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AGRESSÕES AURICULARES
(Protesto Contra Os Ruídos Que Desvirginam As Madrugadas)

Quando o silêncio é quebrado
Alquebrado por funções
Dos ruídos... consumidos
Absorvidos em danos
Mofinos em seus lamentos
Iguais aos ecos alongados
Lamúrias sem predicados
Parênteses sem ter parentes
Digressões... à fula... lufas
Trazidas... em atos isolados
Mostrados e representados
Em murmurinhos... ribaltas
Pirilampos iguais relâmpagos
Ressonando em trovões
Ferindo a alma e os costumes
Auriculares ou não
Transgredindo o tom da mente
Inutilizando... sementes
Estéreis aos contratempos
Causados pela agressão.

PASSAMENTO DO TEMPO

Por caminhos diferentes
Vi o menino trilhar
O da ida a procura
O da volta à esmola
Quimeras pra maltratar
Os espaços invertidos
Percorridos... indistintos
Do tempo... sem ter ponteiros
Pois o relógio está morto
Sepultado... no quintal
Coberto de sombras cinéreas
Projetadas no delubro
Nos fundos... um muro alto
Na frente... o portão fechado
Na mente... idéias engasgadas
De sair pelas calçadas
Procurar novos destinos
Percorrê-los em descortinos
Para esquecer seus martírios
Tredos... heranças desditas
Herdadas... alinhavadas
No âmago dos vendavais.

GRILHÕES DAS SUPERSTICÔES

Aqueles sons eram acordes
Recortes... da imaginação
Para a criança hesitante
Assombrada... cada instante
Com o relógio... papão
De pendulo a arrastar correntes
Marcando o medo em segundos
Com ruídos absurdos
Das badaladas noturnas
Soturnas... quando advinham
Às doze pancadas fatídicas
Pois... a hora grande chegava
Moldando na ânsia escrava
Grilhões da superstição
Até os retratos pregados
Amarelados ao tempo
Nas paredes a cismar
Fechavam os olhos com ela
Momentos de sofrimentos
Sentindo a febre queimar
Incensos... tormentos antigos
Deixando-a perder o juízo
Nem a reza dos aflitos
Acalmavam o menino
No antigo casarão.

PREVISÕES

Nos catres... desgastes
No corpo o adultério
Na alma o pecado
Da vida a flanar
Nos quartos... minguantes
Amantes... contrastes
Das hastes... em recatos
Da flor mitigante
Orvalho... tentáculos
Das damas-da-noite
Fiéis meretrizes
Do meu habitat
Convívios... suplícios
Espórtulas... saudade
Maldade da mente
Que cria sementes
Pra dor germinar
Colheitas expostas
Na hora da morte
Rever sentimentos
Prevendo o momento
De não mais voltar...

IMAGINAÇÕES ABSURDAS

Estava às esconsas... engonças
Das sombras... alongadas
Em plenitude tão rara... confronte
Aos horizontes
Olhando... orando... cismando
Mas... nem as minhas preces traziam
O ícone das lamentações
Sêmen fertilizado
Das absurdas tentações
Quais tropeçam e se arraigam
Nas esperanças nulas
Despojos... contornos
De alguém inexistente
Mas... transparecido
Nas janelas entreabertas
Aos pecados... envenenados
Mesclados de elixires... absintos
Olhos e cabelos negros
Espáduas nuas
Seios morenos
Com o púbis umedecido
Triangulo moldado
A arfar... compassos carismáticos
Ao findar de mais um ciclo
Dos idos vícios e... dos tormentos.

PERPETUAÇÕES

Se no horizonte ao longe Os tons carmins transpassam e passam Algures... misturando-se com o éter A oeste... violáceos dos vestígios de uma vida Vinda ao espaço conseguido... ao limbo Das perpetuações... análogas às mágoas Resultando em cansaços... espaços... ponteiros Determinantes de um viver... farfalho Ao largo das procelas lassas... ingratas Quais arquearam os mastros... E... assopraram as velas.. Cálidas de cera amarela... quimeras De um passamento ameno... sereno Espargindo a alma tolhida em falenas Cambiantes... almejando e conquistando A paz dos astros... cerúleos... luzidos Ungidos com a libertação em que repousa e posa Para os amanheceres... prazeres... fazeres Nunca... jamais conseguidos...

IDÉIAS INDIGESTAS

Das horas em demora Do tempo nos templos Pagãos... monastérios Das inquietações Restaram às pedras Roladas... levadas Por ventos... tormentos Das lufas... dilutas Em decomposições Da morte dos homens No rastro das preces Após passamento Em tribulações Inquietas... perenes Despojos... pertences Relíquias... incensos Sem ter pensamentos Idéias... indigestas Das recordações.

PRESENTE DO PASSADO

Não... jamais relembrar Aqueles momentos... tormentos Trevas marcadas Por horas... choradas... voltadas Ao tempo... dos sofrimentos... Minutos... anseios... gemidos Carpidos... Envoltos em mantas... mortalhas Fadadas... Em ser os matizes... plúmbeos... Horrendos Das cismas... queixumes... Ungüentos Fel... dissabores... venenos Absintos deixados... Em frascos... nos quartos Da lua tão nua... que anseia... Lamentos... crescendo... Minguando... sumindo De minhas janelas Abertas aos mistérios Das dores... estertores Acordes funéreos Ouvidos nos cantos Das salas em penumbras Nas tumbas escuras E... nas madrugadas.

ESCOLHAS

Quantas vezes noite adentro Só em meus pensamentos Busco aquele quintal Com a ameixeira arraigada E... as goiabeiras podadas Juntas ao laranjal Das noites claras trilhadas Pelas estrelas luzentes Quais iluminavam o caminho Dos degraus até o portal Por onde sai insensato Deixando a alma sofrida Simulacro das crendices Escritas sem ponto final Penso em voltar aos enlevos Quimeras pobres e inconstantes De um menino sofrido Varrido pelo vendaval Mas... hoje em sonhos reflito Retornar... tarefa impossível Se escolhi o suplício De conviver com este mal.

TRANSES DO ÓPIO

O tormento da dor empobrece... A alma... e... embrutece a razão Enlevando-nos ao desespero Plúmbeo gerado na estase cega Gelando o sangue nas veias Tatalando em sua aproximação É a morte que ronda em anseios Trazendo o seu canto abarcador Trevas funéreas turvam os olhares Exaurindo as vidas sem explicação Tredos passados aspergem as mentes Dementes... descrentes do depurador É a luta contra as moléstias Indigestas levando a abscição Lacônicas... eloqüentes... quiçá derradeiras Dos seres embebidos em mitos de horror.

PERPETUAÇÕES

Se no horizonte ao longe Os tons carmins transpassam e passam Algures... misturando-se com o éter A oeste... violáceos dos vestígios de uma vida Vinda ao espaço conseguido... ao limbo Das perpetuações... análogas às mágoas Resultando em cansaços... espaços... ponteiros Determinantes de um viver... farfalho Ao largo das procelas lassas... ingratas Quais arquearam os mastros... E... assopraram as velas.. Cálidas de cera amarela... quimeras De um passamento ameno... sereno Espargindo a alma tolhida em falenas Cambiantes... almejando e conquistando A paz dos astros... cerúleos... luzidos Ungidos com a libertação em que repousa e posa Para os amanheceres... prazeres... fazeres Nunca... jamais conseguidos...

IDAS E VINDAS

Os trejeitos dos ponteiros
Deixando os espaços frêmitos
No tempo... nas curvas dos círculos
Por trás dos vidros tingidos
Enquanto ajustam-se aos vértices
Dos trajetos esquecidos
O homem desfaz-se das pedras
Aquelas do início da vida
Roladas... nas selvas abstratas
Nas tumbas... e nas entrelinhas
Das lidas... não lidas... desfeitas
Ao dobrar de cada esquina
Quando encontra o retorno
Que jamais foi percorrido.

ENCERRANDO A CENA

Ao passar da brisa sensual e fria
Tremeluzindo a aura... cinérea e desgastada
Um ícone... desarvorado pela procela... espia
As horas e as distâncias nos mares soçobradas.

É... quando as recordações mesmo que tardias
Envolvem em silêncio... a cripta funerária
Ornada de ciprestes... credos e magias
Envoltos em lináceos... a manta imaginária.

Encerrando a cena... antepondo o calvário
No cicio dos risos ou nas lágrimas d´alma
Ungindo os ditames ao sabor do fel... escárnio

Assim eu sinto a morte... ungido em meus desvarios
Cultos em delubros... tantalizando o carma
Acerbo ou penitente... como os templários.

BUSCAR O INFINITO

Os vôos sem asas
Buscando o infinito
Pousar nos sidéreos
Sorvendo os fluidos
Ao te reencontrar...
Vestida de anjo
Ornada em lumens
Com os olhos sorrindo
Vertendo perfumes
Com as tranças caindo
Nos seios a mostrar...
A tua meiguice
Mesclada em pureza
Teus lábios abrindo
Querendo falar
De tudo que sentes
Ao me encontrar...

PRA QUE RELEMBRAR

Dos dias sem dias
Das horas sem horas
Da vida que passa
Das horas passadas
Dos tempos distantes
Distantes e ausentes
Do carma premente
Da vida a passar...
A espera da sorte
Nas horas alongadas
Minutos cansados
Do tempo a mostrar...
O dia que chega
Na hora da morte
Os meus desencantos
Encantos perdidos
O amor sem juízo
Pra que relembrar...

INDICAÇÕES

Nas mangofas torpes de precoces frias
Disperso e febricitante no brumal oculto
Pressinto e sinto que as farândolas indicam
O farfalhar cortante do buril... trajeto...
Repenso e penso no tempo que desprezo
No brumado quieto onde o cicio escorre
Como o espraiar lento das ondas transparentes
Que desconcertam o quebra-mar... o norte...
Vagas lembranças... vagas em que o oceano
Burila a orla em rictos que assombram
Quem vê na boca a expressão felina...
Clamando aos brados... grados que assustam
São as tempestades dos anseios... os cultos
Que céleres percorrem nas procelas ínfimas
Varrendo as vielas dos bordéis proscritos
Onde vi o luto sem nunca ter morrido.

COISAS PASSADAS

Sim... como eu queria
Voltar no tempo e correr
Olhar a sinistra e dizer...
Será que vem ou não vem
E... ele vinha fogoso
Sem ruídos a escutar
Pois a distância era grande
E o vapor a soltar...
Denunciava-o intrépido
Em sua aproximação
E a cada instante assomava
Pra minha admiração...
Depois que ele passava
Na curva desconcertada
Querendo a ponte vencer...
Seus apitos iam sumindo
Deixando o menino sorrindo
Por causa daquele trem.

TRÊS QUINTAIS

Eram três quintais em cruzes
Dispostos aos desafetos
Avessos aos travessões
De linhas... acerbas... vassalas
Oriundas dos sacrilégios
Vigílias das minhas nênias
Indícios das imaginações

Lá nas tardes sombrias
Quando as nuvens caminhavam
Multiplicando os matizes
Surgidos das inquietações
Das sombras e dos senhores
Do sol... em seus costumes
Caindo em prostrações.

Trazendo as noites assombradas
Sonhos... e febres adustas
Avantesmas... rodopiando
Frutos dos lampiões...
De lusco-fuscos anelantes
Clarividências... ofegantes
Surtos das minhas aflições.

ANJO MORTO

Morreu um anjo nostálgico
Lúgubre em seus lamentos
Místico... encabulado
Aproveitou-se das asas
Voou pela imensidão
Barroco de barro amassado
Ao tremer dos escapulários
Estremeceram... altares
E... o anjo foi pro chão
Morreu de susto o coitado
Só... deparado em cacos
Sem seus oiros e cordões
Tornou-se fragmentário
Não teve cortejo fúnebre
Nem cânticos sacros... queixumes
Apenas... contemplação.

FRUSTRAÇÕES

Fui em busca do tempo
Depois de matar o relógio
Enterrei-o a barlavento
Pra impedir a memória
De rever a prescindência
Insidiar fundamentos
Estagná-los aos sábios
Ou as meretrizes de outrora
Que das ante-salas frustraram
O tempo e o relógio.

SORTILÉGIOS

Tenho saudade das noites... luzentes e carismáticas
Com os néons refletindo... frias cores no asfalto
Piscando como deboches... pras madrugadas nostálgicas
Onde febril percorria... vielas dos meus percalços

Recordo hoje dos vícios... e... de uma moça arábica
Melissa era o seu nome... no qual às vezes me enlaço
Furto dos meus queixumes... herança da vida umbrática
Morena dos meus feitiços... de olhos da cor do pecado.

Das meretrizes escolhidas... ao desdém do quadrilátero
Da Aurora à Vitória... Melissa eu procurava
Antevendo o corpo castanho e os seios embicados.

No antro de catre estreito... seus contornos... osculava
Lembro-a sempre em memórias... do ato sem ter recatos
Pois logo seria de outro... que na esquina aguardava.

REVER IMAGENS

Inda hoje ao ver as tuas fotos antigas
Escorreram duas lágrima e desceram ao peito
Mesclando-se coa febre... a ânsia... e as fadigas
Atribuladas pelos cruéis anseios.

Desci ao purgatório das deletérias intrigas
Buscando no negativo... o lacônico esteio
Acerbo me prostrei ante as cartas sortidas
Revendo tua nudez... acariciei teus seios.

Momentos... sacrilégios... amarelados ao tempo
Cartões despedaçados ao sabor dos tredos
Imagens... falsidades esvoaçadas ao vento...

Que urge e murmura procurando os credos
Levados... e castigados nos tufões sedentos
De dor e de saudade... ungindo os meus invernos

LINHAS DA VIDA

Nas marcas da vida uma linha
Paralela e infinita
Na qual um titã caminhava
Pois de aço era forjado
E... quando ele passava
Sua alma... a fumaça
Sumia naqueles confins...
Devia ser santo ou arcanjo
O cilindro absoluto
Que resoluto seguia
Ao desdém da encruzilhada
Em sua estrada cortada
Pelas veredas sem fim.

TRASPASSAR
“Pelo Passamento do Mestre Vicente Di Grado – Artista Plástico – 1922-2004”

Referências intrínsecas que os ponteiros levam
Depois de evidenciá-las pros julgamentos torpes
Eclodindo em perdas... renascendo algures
No luar... cinéreo... ou nos horizontes plúmbeos
Onde medra o medo e os martírios afloram...

Celícolas ou demoníacas lancinantes partem
Despojando o carma... exaurindo o aspecto
Após tolherem o fruto... o horizontal acerbo
Lacônicas... arraigadas de paixão padecem
Nos delubros oásis... tatalando anseios...

Quem são?... Quem foram?... O lagrimejar ajusta
Pro norte... a morte... o aportar sidéreo
Transmutando espaços... tropeçando em vácuos
Das procelas insanas... vendavais horrendos
Dos que navegam ao largo... depois do passamento...

TARDE SOMBRIA

A tarde é fria e sombria
As nuvens sem o carmim
Dos crepúsculos de outrora
Hoje tão longe de mim...
Na noite além da garoa
O frio penetra à-toa
Fazendo a febre queimar
Meus desejos descabidos
Por um alguém convencido
Em não querer me amar.

SUSSURROS NA CRUZ

Pai... oh! Meu Pai... onde estás
Pra sussurrar-Te no ouvido...
Pai... Eu não acredito
Ver o Meu sangue escorrido
Perdido na lama e caído
Na terra que não vi brotar...
O amor... a paz e a justiça
Se tenho comigo os desditos
E, as mulheres a chorar
Pra que Eu vim Te pergunto...
Pois os pecados do mundo
Não consegui renegar
Assim... leve-Me ciente
Pra Ti meu Pai resoluto
Deixando ao Teu lado ficar...
Este Teu Filho infortuno
Crucificado e ferido
No corpo... n'alma e no olhar...

TARDE SOMBRIA

A tarde é fria e sombria
As nuvens sem o carmim
Dos crepúsculos de outrora
Hoje tão longe de mim...
Na noite além da garoa
O frio penetra à-toa
Fazendo a febre queimar
Meus desejos descabidos
Por um alguém convencido
Em não querer me amar.

AJUSTAMENTOS

A métrica simétrica... ajusta
O perpendicular dos opostos
Cardeais ou cardinais... não importa
Pois o ser... do ser... abastou-se
Quando alanhado da síntese
Desfragmentou-se em éter
Etílico... alienatório
Transmissível... percutido
Nos confins imagináveis
Volveu... 180º... giroscópicos
Defrontou-se com a mesmice
Sagaz... horrenda... maldita
Como as quimeras expostas
Ao som dos alaúdes acerbos
Lassos... vassalos... eloqüentes
Nos ataúdes tempórios...

UM RELÓGIO E QUATRO JANELAS

O movimento do pêndulo
Movendo aquele relógio
Apresando quiçá o tempo
A cada batida das horas
Que ressonava cadente
Naquela varanda vazia
Com as janelas fechadas
Mesmo que fosse de dia
Mas... o menino travesso
Abriu-as num toque de encanto
Pra ver o quintal alongado
Em sua melancolia.

HORAS IMPLACÁVEIS

Nos desalentos da vida
Tolhido por acerbidades
Atrás das máscaras
Oculto-me...
Nas contritas madrugadas
Onde o espelho é cego
E... os relógios arcaicos
Compassam...
O tempo em silêncio
Medrando em horas execradas
Funéreas... lassas... remidas
Arraigadas...
Ao eterno compasso
Dos marcadores malignos
Quais condenaram-me...
Aos suplícios
E... a viver desolado.

CURVAS DA VIDA

Na curvas recurvas... elipses
Dos sentidos... ordenando
Os sentimentos exclusos
A declinar... inclinando
O vértice demeritório
Pro tempo gasto em delubros
Fagulhas... bordéis... fantasias
Aportadas só em prosísticos
Portanto as gralhas condenam
Mas... as mundanas sustentam
Nos cálices do ócio das noites
Das fadigas madrugadas
Onde procurava o dilúculo
Nos etílicos vapores... champanhes
E... nas cinzas dos cigarros.

FATOS E ATOS

Deparo no tempo ameno
Coo ato
Que encena na mente
Parvoíces
Por traz do palco arcaico
Figuras
Tristuras da alma
Arquejante
Ao som dos ponteiros
Roteiros
Que marcam a inconsciência
Clemência
Aos passos pisados
Confusos
Difusos ao pó... ao salitre
Limites
Do corpo em espaços
Abstrusos.

IDAS VISÕES

Nas madrugadas os mistérios
Envoltos no quarto encovado
Onde o menino assustado
Orava em contrições
Pois... a ameixeira tremia
Farfalhando as ramagens
Suscitando lençóis alvacentos
A formarem ímpias imagens
Abantesmas das idas visões...
Eram os "papa-figos" trementes
Que habitavam o quintal
Arrastando-se em correntes
Olhavam nas frestas escuras
Das janelas seminuas
Vidraças escancaradas
Templos das inquietações.

ESTRELAS

No arco as estrelas
Trêmulas a piscar
Formando falenas
Matizes azuis.

No ar o farfalho
Do vento a arfar
Trazendo alvitres
Lembranças tafuis.

No mar as marolas
Querendo beijar
A praia lânguida
Pela... baixa-mar.

Vertendo espumas
Lágrimas a espraiar
Por causa das nuvens
Que teimam em vedar...

Relíquias perenes
Estrelas-do-mar.

MISSAL E ARCABUZ
(Apologia Poética aos 450 anos da Cidade de São Paulo)

Uiva a onça na mata, corta com força o facão
Serpenteiam a mata virgem, acerbos a palmilhar...
A loquaz serra cinérea, em busca do espigão
Para depois encontrarem... o planalto a exaltar.

Entre a tropa cansada — dois padres dão confissão...
Nas bordas de Piratininga, decidem perpetuar
Cravam a lança e a espada, neste sagrado chão
Rezam a missa aos gentios; com os vicentinos a orar.

São jesuítas valentes de missal e arcabuz
Missionários destemidos que vieram aqui fincar...
A paliçada erguida na Terra de Santa Cruz.

Mas eis que surge o futuro, metrópole que Deus conduz...
São Paulo, apostolo e cidade, que nunca ousou parar
Brinda todos os seus filhos; neste loar de luz.

QUIMERAS DA SERRA

Sensual boca atraente
Lábios de vinho maduro
Olhos de raro castanho
Síntese de uma visão
Do retrato emoldurado
Por longos cachos vertidos
Nos seios... sob o vestido
Arfantes... sem compaixão
Quimeras das madrugadas
Onde as estrelas caiam
Anelantes... em suspiros
Trazendo mais solidão.

FALAS NEGATIVAS

Existências... efêmeras ou prolixas
Caminhos... comuns...desabridos
Das pedras... desertas... deixadas
No tempo... ungüentos... deslizes
Das falas... dos risos... censores
Aos choros... advindos... valores
Quais desenvolveram os conflitos
Expostos nos âmagos das lentes
Alheias... aos méleos juízos
Concisos traços... abstratos
Desapropriando... aviltando
Consciências... posturas... limites.

SONETO DA AMIZADE
(ao Dr. Ubajara Gonçalves Colletes)

Separação, desunião, não é a nossa trilha
Vereda essa qual nunca almejamos
Descanses, tranqüilizes o temor estranho
Às probas crenças que, em fervor rebrilha.

Conceitos, honores nossos vindos dos decanos
Atrelada na minh´alma a tu´alma ensina
Pois, sobrevivências não admitem enganos
Arraigados oremos para afastar a cisma.

Labute e lute pelo pendor da realidade
Qual, O Onipresente Deus, regalou-te coa prole santa
Emoldurando-lhe e atestando-lhe rara continuidade.

Assim, caro confrade retratas a sinceridade
Coberto e imantado pela luzente e sagrada manta
Selando e tremeluzindo a loquaz eternidade.

AS QUATROS ESTAÇÕES

Nas tardes mornas onde o calor afaga
Idos momentos... reflexões sumárias
Da ampulheta... a buscar encantos
Enfeitiçados... pelos ventos brandos
Trazendo olores... o pólen... crucifica
As noites frias... vendavais... insanos
Flagelando o corpo ... soluços e lamentos
Da alma nua... em busca dos ausentes
Que soçobraram nas estações do tempo.

QUINTAIS IMPUROS

Nas castas idas aos quintais impuros
Dobrei esquinas... onde a acerbidade
Jactanciosa... menosprezava a volta
Pelos caminhos da introspecção
Jurei ao tempo... relutei ao vento
Clamei clemência... misericordiosa
Desci ladeiras... sem nunca ter subido
Ouvindo acordes da desolação
Assim... transpus o pedestal... a porta
E... deparei... com um anjo morto
Sem a mortalha... só com a nudez vestido
Objeto intrínseco da imaginação
Deserta...abstrata... arcaica e contraída
Dos vícios e pecados... nunca confessados
Vorazes... cometidos às sombras dos prostíbulos
Fúteis arcabouços... da alma em perdição.

ESPANTOS

Calçadas oblíquas... ladeiras
Pisadas as esconsas... martírios
Na noite brumada... vestígios
A casa azulada... existia
Abantesma dos meus arbítrios
Depois de olhá-la em espanto
Degrau por degrau... eu subia
Pra ter um corpo... tocado
Por óbolos insanos... quantias
Tisnadas... doadas por libidos
Trementes aos meus sentidos
Dispersos nas sombras do quarto
No qual... as janelas tremiam
Coo vento uivando lá fora
Trazendo... gemidos... lamúrias
Da minh´alma... perdida.

NAS HORAS MORTAS

Os invernos acerbos deixaram-me
De veias tensas... o cansaço
Do tempo... histórias... mal tratos
Febres... tremores... conquistas
Trazendo a morte... premente
Coo o hálito das incoerências
Tatalando bosquejos... retratos
De um velho relógio... alquebrado
Por horas mortas... convívios
Tristuras... dos deuses caídos...
Nos obstáculos... tentáculos
Deletérios... serpeando...
Levando-me... conciso... aos alvitres
Do passamento... lamentos
Funéreos... cinéreos... tormentos
Mistérios... epitáfios... contritos...

COMOÇÕES

Aquela praia me inquieta
Todas às vezes que lá passo
Tua imagem em compasso
Em cismas vem me aquecer...
Do frio absurdo em que vivo
Pois... sem calor... comovido
Por ti... vivo a morrer.

RÉQUIEM DA EXISTÊNCIA

Era um boêmio arraigado
Nascido e revelado
Pelo signo de gêmeos
Combinado com serpente
Érebo... na trajetória
Reteve até anteontem
Todos os vícios contidos
Nas madrugadas absurdas
Em casas de catres impuros
Quiçá... lasso do mundo
Facho das torpes injurias
Transferiu a existência
Para habitar lá nos cúmulos
Longe pra trás dos confins
Avista dolente os mundanos
Que festam pelo seu fim...

DERIVAÇÕES

De traz das faces... lamurias
Compassadas... aviltadas
Luxurias intrínsecas... relógios
Marcando o convertimento
Dos passos... segundos... estradas
Quais levam ao destino do nada
Tisnando lampejos... espórtulas
Perguntando quantas horas
Custam a se derivar...
Do tempo... minutos... estrugidos
Rompendo o véu... a neblina
Gelando a alma... cativa
Furtando vidas e conquistas
Que a morte... há de levar...

DISFARCES

Nas trevas tépidas
O lume incube
Ditando o curso
Pro tempo... lento
No mar aberto
De céu cinzento
Ledos tormentos
Ao dilucular
As nuvens surgem
Em seus percursos
Quiçá confusos
Provendo luzes
Difusas... ímpias
Que as mágoas intrigam
Loar... lamentos
Pra disfarçar
A alma inquieta
O pó... incesto
Labéu aos credos
Serôdia inópia
Dos passamentos
Em detrimentos
Arder incensos
Pra eternizar.

TRAZENDO SAUDADE

O crepúsculo há muito se ia
E... a prima estrela luzia
Detrás da ameixeira sombria
Que da copa espiava ao redor...
Suas sombras que sumiam
Pelo quintal... em suspiros
Mesclando-se com a noite fria
Que além da neblina trazia...
Saudade de quem vive só.

LAMENTOS AO MAR

Nos mares enticantes... onde as gaivotas morrem
Deixei minh´alma nua... por um olhar sombrio
Tredos em lágrimas... marolas que escorrem
Nos preamares vastos... ao loquaz Baixio
Nos mares enticantes... onde as gaivotas morrem...

Sob as procelas lassas... vendavais insanos
Sofri nas vagas frias... a separação
Perdi o anélito... o norte... em desencantos
Atormentado... exausto... pela contrição
Sob as procelas lassas... vendavais insanos...

Desarvorado fui ao julgo dos incrédulos
Discípulo das bênçãos... sem o mendacíssimo
Plúmbeo... afadigado... antevejo os pregos
Da crucificação... mártir do ocultismo
Desarvorado fui ao julgo dos incrédulos...

Aos sons dos arrabis ... presságios inquietantes
Quais enfarruscaram... em seu tatalar
Farfalhar que ceifa os sentimentos infames
Aproam para os molhes... buscando aportar
Aos sons dos arrabis... presságios inquietantes...

Letárgico incrimino-me... só... neste poema
Febril e delirante... sintoma dos amantes
Na ânsia que demonstra ... a força do dilema
Contristo e pendido... sigo cambiante
Letárgico incrimino-me... em te querer Helena.

ONDE ANDARÁS...

Onde andarás tu... que me acolheste
E nas entranhas... me concebeste
Em binário gesto... o parto luzido
E... acolhido entre os primórdios
Da casta raça... a observar esforços
De medra mãe... sem sentir remorsos
Da plúmbea era... que compreendeste
O pérfido gesto... acusatório
Em teus lamentos... tão merencórios
Sei que me amaste... desde aquela época
Para então... comungar etérea
No firmamento... bem pra lá dos deuses
Pois tua vivência... me deixou essências
As que hoje busco... em teus ofertórios
Legados aos templos... contraditórios
Demeritórios aos que só souberam
Viver de cismas... sem complacências.

SONETO DA OBSESSÃO

Quando na alta noite... sob os néons das ruas
Espero-te... consulente... só em meus trejeitos
Tolhido por volúpias... sob as descomposturas
Busco-te... disposto a esconder preceitos.

Em mística obsessão ... quero-te toda nua
Para em ósculos ardentes... macerar teus seios
Depois de percorrer-te com a mão à fula
Possuir-te em cruz... em lúbricos anseios.

Sem importar-me com os dogmas extintos
Sorvo teu ventre febril... serpeado por enlevos
Assim... sôfrego sinto o sabor do absinto.

E... no acme dos êxtases... quedo-me combalido
Exangue por orgasmos... desejo-te em esmeros
Para adormecer... pois falta-me sentidos...

REVELAÇÕES

Sentir sentimentos que lembram o antigo
Ajustar-me ao tempo em que ocorreu
Sentir a clemência que o fátuo esconde
Igualar atitudes... lembranças sem fim
Sentir que o vento que traz o rebôo
Desnuda o aspecto... retratos de mim
Negados ao escuso das noites passadas
Ao som dos teus lábios... impuros a dizer...
Afaste do leito desfeito e marcado
Pela conduta que te aprazias
Findando teus dias... ao me conhecer.

LAMPEJOS PROLIXOS

Tristuras... lampejos...
Do tempo... refeito
Quimeras... convívios
Sempre a maltratar...
As chagas abertas
Doidas... ocultas
Nos vãos das mesmices
A condenar...
Os ritos da morte
O caos dos mistérios
Os templos... conventos
Prolixos a rezar
Concisos em astúcias
Em busca das lufas
Caudais... tempestades
Pra alma lavar.

VISÃO DAS IDÉIAS IDAS

Na vida... da Vila e das romarias
Ficaram as veredas pisadas... acerbadas
Por pés desmedidos... algozes contritos
Talhados... prostrados... enganos... gemidos
Trazidos dos sons... funéreos... carpidos
Por pedras perenes... despercebimentos
Nas salas de luto.. queixumes... lináceos
Da plúmbea mortalha que cobre os ensejos
De ouvir com dolência o relógio engasgado
Em suas jornadas... batidas... alvitres
Da antiga morada... tristeza... saudade.
Do povo... dos rostos... retratos guardados
Nas mágoas... nas ânsias do esquecimento.

FEITIÇOS

Calungas... noturnas
Nos muros... desusos
Nos templos... incensos
A impregnar...
O tempo... e...o.. vento
Que seguem em aragens
Formando miragens
Pra abrilhantar
A alma... as entranhas
Condutas insanas
Caprichos... feitiços
A desarvorar
Os modos e os usos
Antigos e confusos
Cruéis... sacrilégios
Pra morte levar...

PRAIA DA OBSTINAÇÃO

As procelas dos instintos
Que enlevam ao destino
Dogmas sutis para o chão...
Da praia lhana de areia
Só de rastros e canseiras
Pelos passos costumados

A fugir da solidão.
Mar de dentro... mar de fora
Maré alta... maré baixa
Lua cheia... lua nova
Tempo... minutos... segundos
Nos quais fiquei abstrato
Querendo lançar teu retrato
Nas ondas da obstinação.

SEGREDOS PREMENTES

Estigmas fatídicas
As guardo em segredo
Ocultas das crenças
Bosquejos em ter
A aura engastada
Na cruz das sandices
Despida... caída
Em ânsias senis
Burlando o tempo
Que traz... passamentos
Larvais sentimentos
Do caos ao prazer
Insígnias... desforços
Temores... fadigas
Dos passos ao compasso
Girando... portando
Levando aos abrolhos
A alma... e o ser.

SORVER E SERVIR

Sorvo o fel e sirvo aos males
Transfigurado em pesares
Fragmentado... oprimido
Cingido pelas carências
Promíscuas da existência
Elos em extinção
Sou... o reflexo do nauta
Extinto nos pífios abrolhos
Só... inumado nas vagas
Horrípilas... descomedidas
Plagas dos idos sonhos
Nos mares... da solidão.

CONDUTAS

Queria lembrá-la
E vê-la de novo
Com emoção...
Mas... falta-me credo
Que agonia
Será que perdi-a
Em minha paixão...
Cansei de querer-te
E... tê-la comigo
Exauriu o desejo
Volúpia cruel
Se houver um encontro
Será por descuido
Enganos... lamentos
Da minha aflição...
E... se perguntarem
Por que da conduta
Respondo de pronto
Na torvação...
Tolhido fui
Das alegrias
Restando somente
A compaixão.

ANELO ARDENTE

Longe nas serranias
Lá atrás do horizonte
Entre as sombras que mitigam
No crepusculejar flamejante
Existe o aroma olente
Da flor incomum... atraente
O amor-perfeito... e casto
Inumado em anelos raros
Nos quais almejo e quero...
Fenecer entre teus braços.

SEGUIMENTOS

Sinto-me absinto...
No tempo... nas trevas
Nas horas vassalas
Determino os momentos
Em notas dobradas
Lacradas em anseios
Pelas madrugadas
Gelando as veias
Da espalda cansada
Trazida... ungida
Por febres abstratas
Vertendo mistérios
Martirizados
Nas... esquinas premidas
Desconcertadas
Espero a morte
Oculto em disfarces
Dos néons luctíferos
Que luzem em cortiços
E... na casa azulada.

QUIMERAS NOTURNAS

Por que passo pelas noites
Acordado e sem o siso
Pensando só no abstruso
Só nas sandices dos vícios
Embebido em queixumes
Obscenos em meus costumes
Sob o olhar do relógio
Que dorme em seus segundos
Tudo por causa dos olhos
Que nem sequer me olharam
E... se me virem... insídia
Assim... espero a matina
Na qual eles aparecem
Pra clarear outro dia.

ROGOS

Do culto ao vulto
O canto... o céu
O mar... o ar
Teus olhos... o mel
Magias... contínuas
Que fazem lembrar
Teus cachos e os fatos
Delírios de amar
Nas noites... delongas
Exulto e peço
Por ter.... e não ter
Teu ser... meu Deus...
Que clamo e reclamo
Nas ave-marias
Nas preces e nas queixas
E... aos orixás...
Ao vento... sussurro
Teu nome em suspiros
Na crença d’orar...
Cismando... contendo
Para aquiescer
A lágrima impura
Que teima em rolar
Na face sofrida
De tanto chorar.

TUDO MUDOU

Tudo mudou...
Será que foi por acaso
Ou foi o rubor do ocaso
Que exauriu minha vida
Tornando as crenças em desuso
Cá nas esquinas... obtusas
Na solidão do inefável...
Tudo mudou na minh´alma
As casas... os templos... as dores
Até mesmo meus amores
Quais dantes eram constantes
Hoje... raros e distantes
Causando... fel... dissabores
Tudo mudou... nos horizontes
O troar dos meus ardores
Passo... e... repasso no tempo
Junto aos esquecimentos
Pois... se a lembrança é efêmera
Perene... é a morte dolente
Transluzida... na hora amena

ENGANOS...

No fim da escadaria... de um verde desbotado
Tinha um portão de gonzo... soberbo... agigantado
Sentinela absoluta... entre dois muros caiados
Pra fora quiçá os confortos... pra dentro a dor e o pecado
Maltratavam o menino... sofrido... desventurado
Só sei dizer que um dia... fugiu da melancolia
Subiu os degraus... absorto... saiu com a mala da vida
Depois de tê-la vendido... voltou com a alma cansada
Desceu os vãos da escada... olhou pro quintal... conformado
De conhecer o infortúnio... saber das misérias do mundo
Ilusões... provas protérvias... que viveu... só d´outro lado.

SEMPRE A SAUDADE

Saudades... sempre a saudade
Quimeras a machucar
Recordo tempos acerbos
Trejuras ao teu olhar
Anelos... dor tão pungente
Conflitos em te amar
Beijava teus alvos seios
Quais tinham o sabor do mar
Fímbrias... rosas ao vento
Cantigas a serenar
Lembrando dos teus trejeitos
De dormir sob o luar.

FRAGMENTOS - 4

VIII
Colhi os frutos da vida
Da árvore chamada... ventre
Outono... paixões...

XII
Lampejos de dores
Em meus sentimentos
Momentos...

XIII
Na praia uma barca
Na barca você
Sem norte?... para viver...

XXII
Quisera... mas não me contam
Os fatos... recados
Lá do passado...

XXIV
Se a mesmice incomoda
Amola mais a esmola
Aquela que não ofertei...

XXVII
Falsidade... debate...
Entre... dois ou três
Fatores...

XXXIII
A infidelidade... conjuga-se...
Como morrer... presente dos corpos...
Mundanos...

XXXVIII
Senti frio... no sopro luctífero
Vi na lucerna... o afago
Que vinha... ou... ia... para o infinito...

XLV
Em teu corpo deixei...
Além dos pecados...
Sementes...

XLVII
Sentir nas veias o calor...
No corpo o ardor
Tremente e inútil da dor...

CAUSAR LASSO

Inverter o tempo... sem consentimento
Do arcaico pêndulo... pois o relógio é gasto
Por horas idas... desfalecidas
No etéreo carma... o corroer da alma
Perambular nas noites... conflitantes
Dos desvarios atos... inquietantes
Se... em cada esquina... por entre a neblina
Abantesmas surgem... no tatalar da mata
Lufas frias escorrem em meus pesadelos
Deletério anelo... qual me causa lasso
Tolher os dogmas... delação culposa
Em viver conciso que... o futuro é nada.

SONHOS E MAGIAS

Inda que distante de mim... à cada instante
Envolvente e atraente... tu... se aproxima
Nos sonhos em que a madrugada encante
Em espirais de luzeiros e magias...

Assim... passo pelo espaço... terminante
Ao conhecimento que o teu ser fugias
Fulgindo em resplendor digno... mas... enticante
Tal qual o ocaso... que ao transpor me levaria...

Para bem longe... nos sumidouros... pra lá dos prados
Crispado em lágrimas e... nas vazantes
Balouça minh´alma... enigma dos pecados...

Iniqüidade... pois em teus rastros me engasto
Sacolejado pelos ventos farfalhantes
Quais ceifam a existência no bosquejar dos astros.

IMAGINAÇÕES

O cortejo seguia impassível
Onde meu corpo estirado
Num esquife violáceo
Sacolejava ao sabor
De uma parelha eqüina
Qual marcava o compasso
Da marcha funérea e triste
Tocando quiçá o meu fim...
Que sensação de pureza
Não via os horizontes
E... a matéria deixada
Junto às dores latentes
Causadas por dolos prementes
Distante... estava de mim.

ABIT... NON OBITT
( Partiu… não morreu )

Ritmo cadenciado da arrebentação sonora
Orla que ao crispar das ondas respondia
Baixo... mas com queixumes e soluços ermos
Que o próprio mar levaria
Rolando em espumas cristalinas
Trocando pó pelo caos e sentindo...
O espaço em calmarias.

Suave é o despertar da eternidade
Quiçá o acaso sepulcral desviou-se
Ao encontro do passamento... sal e cinzas
Mitigados pelo tresvario fatal...
D'alma despida que ao transpor o ocaso
Levou-me das trevas... neblina ofegante
Ao encontro da paz no silêncio final.

EXALTAÇÃO

Nas trevas hórridas da tarde sombria
Sussurros... lamurias ecoavam no ar
Três cruzes em linha lembravam estrias
Trânsfugas... protérvias de um povo a chamar...

Por morte e açoites... labéu... letargia
Impostas em resposta ao Deus sem altar
Trajando andrajos... o calvário subia
Antevendo o Lenho que O iria levar...

Pro ápice da glória... triste e lânguido
Lacerado... intrépido... exalta a clamar
Sabendo que aos poucos seu sangue escorrido
Cruciais estigmas... passariam marcar...

As faces dos homens e... seus anélitos
Com dor e remorso em fazê-Lo pecar.

CATARATAS DO IGUAÇU

De longe vinha intrépido
Num silvo profundo a cortar
A selva em seus mistérios
Soberba a contemplar
Os pássaros... voando intrêmulos
Envoltos pelo caudal
Que entre as orlas fecundas
Seguia a serpejar
Enleado à pradaria
Para as cataratas encontrar.

É como o gênio que busca
O poente a delongar
E... ao chegar no abismo
Seu remanso compassivo
Descansa a observar ...
Mas... eis que surge o troar
E... nos primores de um sonho
Aqueles véus lacrimantes
Caem nos precipícios
Jorrando a despencar.

Na luta... diluta... em glórias
Irrompe e deslumbra visões
Entre as névoas e os arcos-íris.
Senti-O
Magnânimo nos íris Deus a eternizar ...
O momento bucólico em espantos
Dolente sem mais preâmbulos
Intrépido o delta buscar
Místico... sereno ... vazando
Pro confins do Paraguai.

A DANÇA DAS HORAS

À uma hora nasceu
Às duas se batizou
Às três estava acordado
Às quatro era um doutor
Às cinco virou problema
Às seis sentia temor
Às sete triste e cansado
De deus passou ser ateu
Às oito místico e vexado
Sonhava em ser vencedor
Às nove horas o mestrado
Olhou pro relógio mofado
Porque jamais foi usado
Pras dez sentir-se Morfeu
Às onze desarvorado
Nas horas mortas... morreu...

VISÕES ABSTRATAS

No mural da percepção intrínseca
Tua figura... inda que diluta... ajusta
Os teus olhos... aos meus... sempre distintos
Ao ver teu corpo desfigurado em formas...
Abstratas... expressões insólitas
Do tempo... das horas... em suas demoras
Ao mostrar preceitos... os meus anseios
Do ventre ardente... aos trementes seios
Os quais saciaram fomes... e... os meus desejos.

IGNÁVIA

Se a ignorância coubesse
Nos surtos epidemiológicos
Hoje a população
Do planeta em questão
Nossa amada Terra
Estaria habitada
Por apenas poucas almas
Que por ela vagariam
E... jamais procurariam
Os ignavos banidos
Desprezados... descabidos
Acobertados em desusos
Pois viveram de queixumes
Em sórdida e inútil missão.

VELHA VARANDA II

A varanda de treliça
Coa rede a balouçar
Quiçá como o pêndulo
De um relógio a marcar
As baladas acanhadas
Compassadas e atreladas...
Às horas distantes e vagas
Nas quais eu vi nesta sala
Teus cabelos acetinados
Negros e encaracolados
Exortando em volúpias
Os teus seios puros e alvos.

A ÚLTIMA OPÇÃO

As opções ao fadário
Da coragem ao calvário
Quando em decisão
Daquela que todos temem
Pois a poucos aquecem
Pensando na humildação...
Se é timidez ... covardia
Ou a judiciosa ironia
De tirar a vida... com as mãos?

RELEMBRAR ITANHAÉM

Eu me lembro... era pequeno
Inda trôpego a palmilhar
Nestas etéreas plagas
Para depois relembrar...
Os momentos bem vividos
Escutando ao longe o mar
Mas... hoje triste e crescido
Nostálgico a contemplá-las
Recordo todo o feitiço
Daquela... maria-fumaça
Que gemia entre às serras
Paralelas a estas praias
No âmago deste quintal
Minhas paixões consumaram-se
E... os meus sonhos doirados
Aqui deixei-os guardados
Se volto cá compassivo
Desdito... preocupado
É para alvitrar alguém
Que jamais esquecerei
Quiçá... a reencontrarei
Nas noites de... Itanhaém.

CINTILAÇÕES

Nostálgico... ledo em espanto
Lembro daquele recanto
Onde só e... descuidado
Não via a vida passar
Lá... nas vespertinas
Entre as sombras do jardim
O som da ave-maria
Abarcava-se com o perfume
Para as estrelas sentirem
O tênue olor dos jasmins...
Discernindo a confraria
Vinham meus companheiros
Os diletos lumeeiros
Que clareavam o quintal
Deixando no brilhantismo
A saudade imortal.

PLÚMBEAS RECORDAÇÕES

Recordo-me sempre da noite inquietante
Naquela morgue ... torpe... em seus espantos
Onde impiedosos sons do farfalhar constante
Lembravam avantesmas a arquejar nos ramos.

E... ao debruçar-me... naquele instante
Deparei-me contigo... vestida em mantos
Lânguida... tal qual a nau... sem os cordames
Amortalhada jazia... sem mais encantos.

Voluptuosa cena ao tremeluzir das velas
Quais serpeavam... sombras... beijos profanos
Escorrendo lavas... de cera amarela.

Menina santa... o dilucular te espera
Disse... lutuoso... demonstrando os prantos
Que ainda rolam ao soluçar por... Vera.

SEQÜENCIAL

Se o relógio é o tempo
O tempo são os minutos
Minutos dos meus espaços
Espaços das constelações
Constelações lembram o éter
O éter os horizontes
Os horizontes infindos Infindos de orações
As orações me consolam
Consolam a alma pungente
Pungente pelos bosquejos
Bosquejos de solidão.

JOVEM SENHORA

Quem és tu?... com este olhar adusto
Que atravessa a minh´alma... tão inquietante
De onde eras?... quem foste?... assim quisera
Que me disseste... tudo... neste exato instante
Em que procuro... eternizar... moça anelante
Mas... que descuido... só um retrato... lá do passado
Que nos desígnios o tempo guardou amarelado
Tua altivez sem lucidez apenas... o luto
No qual reluto... plúmbea senhora... cujos pecados
De inefáveis... transfigurou meus próprios usos.

PROTÉRVIAS

O esboroar do sangue a escorrer purpúreo
Do peito plúmbeo que a harpa tece
Lamento o érebo porque assim trejuro
Eternizando em mágoas a minha alma inerte.

Sob o alabastro onde a vivência desce
Descrimino o uso do epitáfio espúrio
Símbolo da protérvia no formal da prece
Caos... maleficência do discernir injusto.

Assim... caminho antevendo os tempos
Em que na magia do sidéreo aguardo
Deixando as dores e... os sofrimentos...

No passado incauto... mendicante e torpe
Revelado em tredos... hoje o teu retrato
Que causa incertezas... e antevê a morte.

CARAMINHOLAS

Nas entrelinhas das cartas em desuso
Encontrei dizeres... tristuras... lampejos
E.. na tua foto de caraminholas em uso
Revi teus seios... a provocar desejos.

Lembrei das noites na quais por puro abuso
Sorvi teus ósculos... audazes ensejos
E... como o vento... lento a seguir seu curso
Percorri teu corpo em febris lamentos.

Assim... escondi preceitos ao tentar ternuras
Mas... mostrei o ócio dos momentos tensos
Desnudando a alma... pecadora... impura...

Encontrei em ti a floresta adusta
Frágil e desarvorada por desprezíveis tentos
Perdida nas tempestades que o teu ser assusta.

NÃO ACEITAR

De madrugada quando a lua espia
Sedosas tranças... anelos despejados
Num turbilhão de flores e magias
Eu fito a ti com os olhos marejados...
De madrugada quando a lua espia...

Teus alvos seios... que no ar transluzem
Pecado oculto em querer beijá-los
Os meus anseios ao fervor conduzem
Discretamente sem querer magoá-los...
Teus alvos seios... que no ar transluzem...

Assim quedamos na inquietação das almas
Que gêmeas unem-se num compromisso raro
Acme em tresvario... quando a matina calma

Nos acoberta... orando sob um pálio...
Assim quedamos na inquietação das almas...

Menina santa... os teus olhos dizem
Para esquecer... a noite dos desejos
Mas eu suplico... que os venenos fiquem
Pra fenecer... porque assim enteço...
Menina santa... os teus olhos dizem...

Mas... não aceito o teu olhar... Helena
Em não prezar o aconchego cálido
Como olvidar promessas... e os poemas
Enunciados pelos tredos falsos...
Eu... não aceito o teu olhar... Helena.

PROTÉRVIAS

O esboroar do sangue a escorrer purpúreo
Do peito plúmbeo que a harpa tece
Lamento o érebo porque assim trejuro
Eternizando em mágoas a minha alma inerte.

Sob o alabastro onde a vivência desce
Descrimino o uso do epitáfio espúrio
Símbolo da protérvia no formal da prece
Caos... maleficência do discernir injusto.

Assim... caminho antevendo os tempos
Em que na magia do sidéreo aguardo
Deixando as dores e... os sofrimentos...

No passado incauto... mendicante e torpe
Revelado em tredos... hoje o teu retrato
Que causa incertezas... e antevê a morte.

PERDER O JUÍZO

Nos passos cansados eu sinto os percalços
Pisados nas horas dos ressentimentos
Nas pedras... perdidas... roladas... deixadas
Ao longo da estrada abrupta marcada
Pelas tormentas dos meus sofrimentos...
Assim... o entrevero marcou as constâncias
Da dúbia esperança... anseios sortidos
No caos... nos costumes da casa azulada
Na qual adentrava... perdendo o juízo...

SEMPRE A TUA PRESENÇA

Quando na alta noite... sofro em meus lamentos
E... ouço o som funéreo do rabil mourisco
Pois... os sofrimentos que o delírio grassa
São pressentimentos de ir buscar o eterno
Em busca da procela que te apartou do filho
Assim... falo-te em espírito... abrasando a minh'alma
Crucificada em tua alma... meu ninho... meu abrigo
Conciso... perenal... etéreo ventre amigo
O qual nos abrolhos reencontro-me.. em espantos
Lá... pra lá... dos horizontes... nas linhas imaginárias
Lendárias... eternizadas com tua presença
De mãe... oh!... Minha mãe... que idéio em prantos...

PEGADAS NA AREIA

Nas dunas escuras de areias purpúreas
Fimbrias das praias... memórias no ar
Das tardes inquietantes... murmulhos constantes
Nas sombras alongadas deixadas no mar
Marcavam o compasso do passo atrelado
As tuas pegadas na orla banhadas
Ornadas ao tempo... cruel sofrimento
De tê-la perdido sem consentimentos
Junto das lágrimas... escorridas... levadas
Nos choros... nas mágoas deixadas ao vento.

TEMPLO DOS CONTRATEMPOS

A vida... em cismas profundas
Nas protérvias dos delírios
Sintomas dos relógios em desuso
Ou uso das mágoas... feridas
Caminhos... passos inertes
Ao adentrar as entranhas
O âmago... a alma pungente
Que ao quedar em repentes
Envolve-se na plúmbea estrada
Na qual o viajor boquiaberto
Pasma... com a morte engendrada
Envolvendo... o inconsciente
Em delírios das causas deixadas
No templo dos contratempos
Nos frágeis... espaços abstratos
Quais mudos... observam as passadas...

TRAZER

De longe vieram e inda me restam
As cismas absurdas dos vultos passados
Cansadas e trôpegas... caminham sem rumo
Trazendo os descuidos dos vícios formados
Das idas quimeras... sutis contratempos
Que sobram no tempo das águas roladas.

Mas... hoje ao cismar com o desencanto
Indo... seguindo... por outros caminhos
Que as pedras marcadas deixadas na estrada
Trouxeram de volta a dor que maltrata
Em ter e querer o abstrato complexo
Do rosto... desgostos da pessoa amada.

Assim sem saber... trazes contigo
Transes... dilemas... frágeis carências
E... nem imaginas não tens a ciência
Não sabes portanto de minhas sandices
Das mágoas das lágrimas roladas ao vento
Do esquecimento que trago comigo.

PROCELA

A tempestade se ergue
Trazida por ventos uivantes
Revoltando o ar campestre
Da natureza ofegante...

Um sentimento oprimido
Pela tormenta a reinar
Exprime um leve gemido
Vendo a realeza chorar...

Lágrimas que vêm do espaço
Correndo na face fria
São prelúdios do cansaço
Que chega dia após dia...

A procela do destino
Que tomba em meu coração
É sofrimento... martírio...
Por não ter o teu perdão.

MÁGOAS

O tempo do homem
A paz dos segundos
As horas atreladas
Nas expiações
O homem no tempo
Desfaz em segundos
As trevas das horas
Sem contemplações
Do tédio aos tredos
O mar em revolta
O pedir de esmolas
Em humilhações
Mas... quando acorda
O homem magoado
Esquece o cansaço
E... as desilusões.

HORAS PASSADAS

São nos momentos insólitos
Aqueles de maltratar
Que as batidas escuto
E... o pontear dos segundos
Parecem que estão cá
Marcando as madrugadas
Fadadas a desenterrar
Fimbrias de angústias e receios
Subseqüências em ensejos
Do velho relógio a tocar
Badaladas merencórias
As quais assustaram o menino
Naquela varanda funérea
Onde os temores nasciam
Deixando à hora passar.

MUTAÇÕES

Parte consumpta da matéria gasta
Substituída em próteses e por fim
Encobre e veda as intransigências
Que há pouco inda conduziu-te,
Cego... mas enxergas as imposturas
A ti dispostas tristes e desbotadas
Que o tempo previu mas não perdoou
Em ver-te desolado em parafernálias.

BEIJOS AO VENTO

Consegui conquistar-te através de beijos
Embora ocultos na solidão dos sábios
Ósculos ao tempo e ao sabor da aura
Percorrem cálidos entre as ramagens...
Perfumados chegam para tocar teus lábios
Que entreabertos ardem sem saber de nada

DEFERÊNCIAS

No tempo os concentos
Nas horas os minutos
Rolados... tirados
Da vida a medir...
Poemas incertos
Papéis apagados
Recados mal dados
Só para ferir...
A alma que sofre
A ânsia que aflora
A febre que queima
As recordações...
Que brotam nas águas
Dos olhos almejantes
E... o senso enticante
Traz consternação...
Do inócuo ao pecado
Da paz ao larvário
Do amor sem amantes
Em contemplação.

VIRTUALIDADE

Final da finalidade crucial idéia
De cruzar o cosmo pelo caminho incerto
Reverter o tempo em escalas óticas
Miras pragmáticas da descente forma
Obstruindo o tempo em fragmentações...
Ourado... tremedal da cruel tristura
Ao sabor nefasto do absinto medo
Visões... clarões... das fulgências lidas
Inda que malditas ou carma capital
Que rege e aporta no sidéreo porto
Cais... aportilhar o senso destrutivo
Para em "non dominus" acarear domínios
Formidando embalde tredos compreensíveis
Desfazendo em prantos das lamentações.

PRIMEIROS ANSEIOS

O verde daqueles olhos
Deixou-me sem distração
Eu ardente menino
Não sabia que a vida
Nos traz na saudade pungente
Tristeza, dor e aflição.

PIPA COLORIDA

Naqueles dias de Julho
Depois do mês dos balões
Tempo de ventanias
Horas de emoções
Nas quais soltava a pipa
Que prontamente subia
Em busca de amplidão,
Nem sonhava e não sabia
Que a vida seria mazela
Ao invés da fase singela
Que ontem era o prazer,
Pois hoje trago-a amarrada
Como as pandorgas soltadas
Levadas por linhas e atadas...
Presas às tantas mágoas
Das ilusões de viver.

NEGAR

Volte para mim... volte sempre
Na maré alta... em murmulhos
Olhando-me quase em queixumes
Nas tardes mornas... alongadas
Pela praia espraiada
Teus olhos fui encontrar...
Assim... depois de osculá-los
Padeço em meus anseios
De temer que te ausentes
Na vazante e... inconsciente
Meus beijos querer negar.

DIAS CINZENTOS

Inversão do dia em que o cinza escuro
Invade a nostalgia... sentimento ateu
Delimitando o tempo no qual o relógio ouve
O passo intermitente dos minutos meus
Mas... esse compasso fluiu... gastou-se
Evaporou-se dócil entre as raras matizes
Dos "carneirinhos" que pelo ar percorrem
A mesma rota dos vultos espargidos
Que desfiaram gotas de lágrimas contidas
Nos semblantes gastos em buscar raízes
Assim... se hoje me quedo em descuidos
Foi por causa dela, não ela, mas da vida espúria
Fatos concretos que efetivaram a alma...
Triste... sentida... a procurar lamúrias.

ARREMEDOS

No vai e vem que a mente tramóia
Contra ou a favor dos idos arremedos
Travessos... grotescos que riram de mim...
Assim... pergunto da data marcada
Para viver ou morrer enlaçado
Nas horas fechadas... mórbidas... indistintas
Que pelo instinto motejaram o tempo
Nas sombras alongadas da casa cairara
Do quarto abafado de mofo guardado
No âmago prepóstero da esfinge de alguém.

MOMENTOS IMPUDICOS

No ócio impuro dos momentos tédios
Paro no tempo dos ressentimentos
Procuro-os... mas... a memória falha
Desconcertando o pudor que entendo
Calado... parto... desvendando o carma
Nas virações em que... o rumor acalma
Aplacando a dor do passado lorpice
Desnudando assim... a retórica insana
Em que mundano... procurei mundanas
Almas profanas... do febril engano
Da insipidez... e... enfastiado
Carrego morbo... o mal-assombrado
Vício das noites que passei ao cicio
Entorpecido do audaz pecado.

TRANSPASSAR

Involuntário transpasso
Credos e ensinamentos
Prossigo... e persigo o tempo
Nas noites onde o compasso
Não passa de um mero ponteiro
Oscilando a cada segundo
Com seus temores profundos
Dos ventos catalisados
Inibindo os sentimentos
Ferindo as entranhas cinéreas
Que ardem co'a febre doida
Assim... pergunto aos deuses
Das reles obras indigentes
Porque os ciprestes farfalham...
Apontando o meu passamento?

SOMBRAS

Nas sombras encontro o choro e o canto
Dos tristes lamentos que teimam em ficar
Nos dolos momentos... cruéis pensamentos
Que escorrem nas veias... exaurindo em pesar
Tremendo em bosquejos pra vida que expira
Ouvindo mentiras... com o sangue a gelar.

SANTOLA

Assetar co'a sétula lançada
Pra ferir-me em sevícias infames
Não seria o mais justo... pergunto...
Partir com teus tredos injustos...

Santola... rastreias a minh'alma
Perquirindo os meus sentimentos
Porque não te arrastas agora
E... vá procurar quem consola
Nas lidas das tuas tramóias
Transmutando a vida em lamúrias.

PAREDES

Existem dois tipos de muro
Símbolos da separação
Um é o que excede Outro... o limitador
Ambos com estrutura
De alvenaria em desuso
Pois o único que aparta
São as memórias do tempo
Ou ao presente... confuso.

Que é a incerteza morena
Com seus olhos de avantesma
Que pela noite me guardam
Com seu olhar de retrato
Inda no canto do armário
E... que me causa lamentos
Pois dela só as luxúrias
Tijolos... cortina espúria
Onde me apóio sem medo.

SEGUNDOS...

Ficaram as marcas... descartes
Efeitos... evasivos... sentidos
Ao perder a chave... do espaço
Descobri que o esquecimento
Não passa de mero argumento
Assim... fui em busca do nada
Até conhecer o cansaço
Do tempo... só incertezas
Das horas.... sons merencórios
E... na vida em suas desditas
Reencontrei os segundos
Talvez pra mandar-te notícias.

ANGÚSTIAS NAS NOITES

Tem certas noites impudicas
Que custam demais passar
Se busco papel... não escrevo
Procuro tua foto... mas sinto
Desejos de não te olhar...
Remexo poemas antigos
E... nem sequer dou ouvidos
Para... a - "Sonata ao Luar"...
Assim as horas se arrastam
Sem dar-me o simples consolo
Do telefone tocar...
São momentos de suplícios
Rituais de sacrifícios
De uma vida a vagar.

QUADRAS DO ESQUECIMENTO

A primeira vez que cruzei a estrada
Dividi o quintal... em pedaços de nada
Um lado era o meu... outro quiçá...
Não tinha escritura... não tinha alvará.

Brincava nas noites... folgava nos dias
Saía em andanças... em... melancolias
O próprio mirante... era a ameixeira
Alta... garbosa... solene... altaneira.

De lá... percebia o cinza abstrato
Dos rostos perdidos nos porta-retratos...
Pregados... ajustados... nas salas... nos quartos...
Nas malas escondidas ao sabor do pecado.

O meu território... perdeu-se no tempo...
Do esquecimento... fatídico adulto
Nos ombros o peso carrego adusto
As marcas... o cunho... do padecimento.

REMOVER IDÉIAS

Intenção... percepção destrinça
Que remove ou remói idéias
Lembranças nulas desencontradas
Do tempo em que passei penetrado
Nos dogmas e nos sentimentos
Extensos varridos aos ventos
Que uivam nas ruas escuras
Naquelas esquinas impuras
Morada dos teus pecados.

FALSIDADES

As mágoas... deságuam
No peito tremente
N'alma pungente
Que teima em lembrar...
As horas perdidas
O tempo passado
Os credos e os fatos
A maltratar...
Um corpo cansado
Idéias em farrapos
As lágrimas foscas
Dos olhos a chorar...
Por atos e tredos
Cismas noctívagas
De dolos inefáveis
Da vida a passar...

AQUELES OLHOS

Os primeiros olhos...
Que de fato eu olhei
Claros e de tons verdes
Eram a alma de alguém...
Tentei adentrá-los um dia
Fechados estavam pra mim
Mesmo assim quis conquistá-los
Pra não sofrer tanto assim.

FRAGMENTOS - I

III
Assim... parto...
E... ao partir... parir...
Desejos...

IV
Encanto-me com o canto
Nos cantos
Da sala mofada...

IX
Quedei-me nas ruas
Impuras
Simples... abreviaturas...

X
Meretrizes infelizes
Ou felizes
Percepções...

XI
Falar ao tempo
Momentos
De esquecimentos...

XVII
Desnudei a tua foto
O negativo injusto
Foi justo...

IXX
Na coerência do tempo
O relógio confessou
O abuso...

XXI
No ataúde... os restos
De ciprestes
Indigestos...

XXIII
Acordei tão descontente
Relembrei...
Sonhos... fraudados...

XXV
Fiz um retrato falado
De todos os meus pecados
Aqueles que não pequei...

FRAGMENTOS - II

I
Pratico o abstrato
Nos quadros... da mente...
Demente...

II
Colubrear... é o abuso
Do uso...
De se inverter....

VII
Me perdi... ao descer
Nos vãos das escadas...
Circumuradas...

XVIII
Nas ruas a lua
No mar o ar...
Nostálgico...

XXVIII
No porta-retrato
A porta...
Dos meus pecados...

XXX
As nossas mentes... mentem
Lacunas... espaços...
Sementes...

XXXII
Madrugadas... obscuras...
Devoram... as existências
Inconformadas com a eternidade...

XXXIV
No Aqueronte... naveguei certo
De te encontrar em sandice
A mesma... que me acometeu...

XXXV
Nas entrelinhas... o início...
Na linha da vida... um ponto...
Final...

XXXVI
A alma destrata
Hipóteses... vertidas
No abstruso...

FRAGMENTOS - III

XX
Amar é sofrer
Dizem...
Mas... amam...

IXXX
Na casa escura...
O fastio
Fachos de luzes... ocasos...

XXXI
Nos quartos... as horas estão nuas
Sedentas... e... dos ventres férteis...
Rebentam... rebentos as escusas....

XXXVII
Nas curvas... recurvas
O ápice... egocêntrico
Do centro...

IXL
Nas ondas dos mares... espumas
E... das artimanhas...
Fracassos...

XL
Percorri ladeiras íngremes
Subi... e... desci o calvário
Pérgulas das intransigências...

XLI
No muro... calungas... feitiços
Do beiral o sobreaviso
Um grito... fora de ritmo...

XLII
Na curva do arco-íris
Bosquejos... quiçá das imagens
Miragens...

XLIII
Introspecção...
Contenção das artérias...
Inexistentes...

XLIV
Nas alamedas boreais
Um dogma... uma cruz...
Cruzada em meus braços...

LARVÁRIOS

No dogma... do luto... o inverno
Brusco... no uso... ou desuso
Larvários... ditos... magias
Relíquias?... ou foram cantigas...
Cantadas nas madrugadas
Nos becos profusos ... promíscuos
Refúgios... prostíbulos... ardores...
Ou dores que a febre maltrata
Ao som do relógio arcaico
Olhando... antigos retratos
Ao acaso... no ocaso da vida
Que finda o ciclo orbívago
Para... nos obituários
Deixarem-me... apenas o transcrito...
De ter vivido... conciso.

FANTASIAS

Querer alguém que existe
É mera realidade
Mas querer o inexistente
É sandice desvairada...
Porque almejar o impossível
Sonhar com o imponderável
Tê-la em desejos... desnuda
Se nem a conheço de fato.

ESQUINA DOS PECADOS

O que havia adiante
Bem depois daquela esquina
Se eu dobrasse viria
Mas... o pecado nostálgico
Não deixava que seguisse
Assim... meus passos cansados
Pela casa adentravam
E... quando a porta azulada
Abria-se para os recantos
Da menina ensaiada
Do decote que expelia
Dois seios... mornos de encantos
Quais ofegantes... apertavam-me
Contra seu corpo estorvado
De plúmbeas melancolias

SERÕES SEM FIM

Era um rádio valvulado... do qual chiados escapavam
Das estáticas engasgadas... trazendo melancolia
Missas... novelas... cantigas... e... outras falas ensaiadas
De manhã o padre-nosso... de tarde a ave-maria
Mas... quando a noite chegava... meu pai mal-humorado
Com a guerra que existia... longe pra lá dos confins
Ouvia as notícias absorto... com seu pijama listrado
Comigo sempre em seus braços... naqueles serões sem fim...

A LUA E O MAR...

A lua surgia e o mar lhe beijava
Brincando corria em gazes sutis
E a onda brilhante na praia deixava
Um canto sereno... murmulho feliz...

Na areia... adjaza alguém que amava
Olhando... louvando o zênite a luzir
Teus cachos... em credos eu osculava
Nas águas espraiadas... sentindo o zunir...

Sorvendo venenos demais costumeiros
Erguia teus seios... desnudos... trigueiros
Que arfantes mostravam o ardor do desejo...

E, a lua morria... entre os meus dedos
Em sombras de amor... sublimes ensejos
Acmes trazidos em trêfegos tentos...

A MENINA DO PORÃO

Memórias da vida... relatos da vila
Sacadas obtusas... ladeiras premidas
Em becos profusos... degraus destruídos
Por pés sem calçados... pisar de cortiço
Saletas em penumbra... de cima se via
Sob tremuras... a menina de luto
Difusa... aguerrida... nas coisas sem lida
Da morte presente... meus olhos prementes
Só viam o escalão... que permitia
Ver o porão... da órfã sofrida.

À MINHA MÃE

Nas longas noites de insônia
Aquelas que custam a passar
Não sei se acordado ou em sonhos
Medrando em cismas exponho
Em pleno afã do apelo
Em cruz... quero em teus braços
Afagar as mágoas em relevo.

Minha mãe a cada instante
Como o lume que clareia
Traz-me de volta... esperanças
Velando-me sempre airosa
És plena em teus afins
No extático desejo
De não apartar-se de mim.

ALVITRES

Era noite e um mistério
No quarto escuro... o tédio
No tempo a solidão...
Nas paredes os retratos
Um Cristo crucificado
Olhava a inquietação
Do menino assustado
Com seus sonhos sem recatos
Mas sonhados com pavor
Coa morte... lôbrega... adusta
Que vira na ante-sala
Daquela casa fadada
Em ser alvitre da dor.

AVANTESMAS

A pouco falei com a morte
E... vi seus traços... farrapos
Deixados como recados
Bosquejos a lacerar...
Escutei o rumorejar luctífero
Larvais de outrem... esquecidos
No peito a macerar.

Senti o farfalhar do cipreste
Depois de envolver... o destino...
No caos inepto... confuso
Desposado com a fúnebre marcha
Que marca os compassos... epitáfios
Regidos nas matinadas...
Cobertas pelas mortalhas
Difusas pelas borrascas
Naufrágios a me atormentar.

CONFIDÊNCIAS...

A ndando nas estreitas ladeiras da vida
C ruzei um rio... um mar... quem sabe
R ompi barreiras... percorrendo incauto
O s velhos caminhos da continuidade...
S orvi o orgulho... a tentação divina
T al qual um deus... despreocupado
I ndo ao ápice do teu olhar moreno
C or do pecado que a tua pele exala
O des de beijos aos teus seios castos...

P arei... pensei... em sentimento oculto
A mar quem sabe... voltarei sentindo...
R arear as vezes que te vi sorrindo
A ntigo fato que me preocupava...

L endo nas entrelinhas dos papeis guardados
U ma à uma... as frases aqui rimadas...
I nda rabiscadas de perplexidade
Z éfiro que leva pro alem... percebes...
A s cousas que repoisam na eternidade.

DESPERCEBIMENTO

Eu sou o vento... e sou o tempo
Trago os relógios bem escondidos
Cada ponteiro... cada minuto
São dois fatores despercebidos...
Um... objeto... outro... abstrato
Velhos retratos sem negativos
Eu sou as crases... sou as cedilhas
Das cartas mortas... envelhecidas
Eu sou o senso e o censor
Da realidade comprometida
Eu sou o carma também a cruz...
Que carregaste despercebida...

DURAÇÃO DA EXISTÊNCIA

Idade do tempo
Idade das pedras
Idade dos homens
Idade das horas
A reta não sobe
A curva declina
Com os ventos etésios
Trazendo o inverno
Pra vida que expira
No final do dia
Escuta da morte
Seus passos cansados
Cobrindo de luto
Os planos findados
Do tempo a idade
Das pedras roladas
Do homem obumbrado
Das horas passadas.

EFEITOS DO LUAR

Na rua a lua
Na lua o clarão
Na vida uma vida
Trêmula... caída
Por causa da luz
Que traz solidão...
Na alma arquejante
De choro e lamentos
Levados aos ventos
Da ingratidão...
No céu uma estrela
Trejura ao piscar
Sorrindo pra noite
Que me fez chorar.

FUMAÇA E JORNAL

Eu corria na frente
Dois caminhos diferentes
Atrás vinha meu pai
O da ida... à procura
Na volta vinha meu pai...
Trazendo o jornal atrasado
Roto já sem recados
Somente o obituário
Depois de lido e relido
Atento pelo meu pai
Mas... hoje vejo-o difuso
Ao desdém e carrancudo
Invertível aquela trilha
Que saía do quintal...
Onde com ele eu seguia
Pra ver o trem que trazia
Além de fumaça... o jornal.

INTRANSIGÊNCIAS

A vida intriga
O mar agita
A escuma leva
Separações
Dos fatos lesos
Dos desafetos
Das incertezas
Em comoções
Na praia quieta
Sob as procelas
Tremo inquieto
Recordações
Lembrando casos
Revendo laços
De certo modo
As lassidões
Que geram... tédio
Tépidos... fetos
Intransigentes
Das frustrações.

MANOBRAS NA NOITE

O monstro que me assombrava
Trazendo na noite terror
Em vez de gritar apitava
Querendo assim assustar-me
Com seu arfar e chiados
Silvos... gritos de dor,
Seu corpo era de aço
Por dentro a alma... vapor,
Suas orelhas... janelas
E as rodas eram os pés,
Não respirava, assoprava...
Fumaça pelas chaminés
E, quando andava trazia
Tristeza e melancolia
Com seus ferros a balançar,
Arrastando-se nos dormentes
Deixando o menino tremente
Querendo com ele lutar.

MARIA... MARIA...
<<<>>> CANÇÃO <<<>>>

Maria... Maria... cadê os teus prantos
Rolados nos lagos de águas azuis
Maria... Maria... cadê os teus cântaros
Das águas dos prantos... dos choros sutis...
Maria... Maria... me digas criança
Das tuas lembranças... das ave-marias
Cantadas em recatos nas noites tão frias
Tremendo e chorando na dor da alegria...
Maria... Maria... teus olhos me fitam
E a tua boca... enfeitiça... maltrata
Minh'alma exaltada... prendida... esquecida...
No laço de fita dos teus lindos cachos...
Maria... Maria... se um dia tu leres
Os versos e poemas a ti dedicados
Reflitas... medites... em teus pensamentos
Sem olvidar os juramentos
Falados... honrados... em fé dos pecados
Trocados e tocados na ânsia dos beijos...
Maria... Maria... não desças a cortina
E... deixes o luar beijar os teus seios
Descubra o teu corpo... teus lindos contornos
Que busco tremente em transes e anseios...
Maria... Maria... rebusco teu nome
Na forma das rodas das danças luzidas
Maria... Maria... só posso dizer-te
Tentei esquecer-te... nas noites e nos dias
Mas sem conseguir desfaço o segredo
Te amo... e revelo... Maria Luzia.

MENINA MULHER

Na casa azulada da esquina sombria
Entrava e saía esquecendo de mim
Lá dentro ficavam os meus pensamentos
Junto dos vícios... menina mulher,
Na casa azulada olhava o pecado
Em forma enganosa dos olhos em viés
Tremente buscava ofegantes teus seios
Teu corpo vendido... menina mulher,
Na casa azulada deixei sentimentos...
Ressentimentos da oblação
Que em querer esqueci da conquista
Sem mágoas profundas... menina mulher,
Da casa azulada restou devaneio
Ilusão da conduta serôdia... em fim
Nos dias e nas horas eu inda pergunto...
Por onde andarás... menina mulher.

NADA É PERENE

Primeiro o anseio de ter-te perene
Seguido de fatos, papéis e retratos
Pois a tua lembrança invadiu a rotina
Que sina,
Deixando de ser uma falsa miragem,
Depois o desejo de ver-te somente
De quando em quando
Os sentidos faltavam-me
O ardor transformou-se...
Em prazer zombeteiro
Que hoje eu sinto
Quiçá derradeiro,