Priscila Coelho

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DIÁLOGO DA RAZÃO COM O CORAÇÃO

Por que não ouves quando te aconselho
Quando imploro para que te aquietes?
Por que faz de minha alma um espelho
em que eu me olho, mas que a ti reflete?

Não sou surdo aos teus apelos
Nem desprezo tua dignidade
Sou apenas displicente com teus zelos
Devido a minha impulsividade

Negas que não me escutas, e justifica-te de maneira tal?
Quem julga seres para tratar-me assim?
Não vês que és para mim uma arma mortal
Que pode, casualmente, determinar meu fim?

Não sejas definitivo e desrazoável
Pois de tua vida, dependo eu aqui...
O que não podes é tolerar o inevitável ...
A força que exerço sobre ti!

Ingrato! Mimo a ti com sonhos e esperanças
Com ternura e até amor
E tu, rebelde como uma criança
Vives a brincar, sem nenhum pudor

És cego e obstinadamente covarde
Pois não assumes tua própria condição
Negas com loucura a chama que em mim arde
Rejeitas, debilmente, a força da paixão...
Hás de consumir-te em tristeza somente
Por negar-te o direito da emoção
E hás de perambular, inutilmente
Combatendo o teu próprio coração...

Pausa de vida

A madrugada já desceu sobre a Terra
Sua lânguida e tênue docilidade
Estou só... Imersa em meus pensamentos
Desvendando o que nela se encerra
Provando o sabor da individualidade
Neste áureo mundo de encantamento

Como é sutil o som da aurora!
Singelo e feminino o aroma do fim de noite.
Ah! Como é belo o outro lado do dia
Repleto de longas demoras
O ar é calmo e gentil
Um doce bálsamo de alegria!

Minha alma vaga distraidamente
Pelos domínios dos sonhos
Pelos limites diversos...
Baila solta, displicentemente
Sem reservas, sem abrigo
Explorando o silêncio submerso...

Como é bom, estar sem compromisso
Permito-me ausentar-me cada vez mais
Sou parte desta imensa natureza
É como se colocar submisso
A viagens, etereamente, divinais
Reconhecendo em tudo, a real beleza...

Há um odor inigualável
No encanto da madrugada
Há bem mais do que um mero amanhecer
Há um destino imensurável
Um tudo... Contido no nada
Há essência de viver...

Um misto de êxtase e serenidade
Um complexo de emoções sem fim
Há paz, alegria... Há verdade!
Há tudo isso e muito mais... Dentro de mim!

Seu beijo

Doce é o sabor de teus lábios... Quentes, macios
Roçando, sofregamente, os meus
Intoxicando-me de sensações
Nossas bocas se misturam... Preenchem espaços vazios
Espaços que o tempo ali, esqueceu
Para que neles... Se instalassem as paixões

Provo alucinada, sem qualquer pudor
O gosto delicioso desta emoção ...
Razão que justifica meu viver!
Ah!...Pudesse eu, eternizar este sabor
Na perene alegria de meu coração
Canção a embalar todo meu ser

Explode em novidade o desejo sem limite
Como se uma singela saudade
Saciasse um impulso forte
O tempo é o senhor que assiste
O desenrolar da vontade
A realidade da sorte

E este encontro de bocas...sedentas a se buscar
Compõem uma dança esquisita
Num ritmo acolhedor
Nossas almas se libertam. Em pleno ar
bailando de forma irrestrita
Na cadencia inusitada do amor

Como lamento!!!

Lamento a distância que nos separa
A tristeza que ampara o coração
A lágrima que rolou silente e solitária
A dor que sufocou toda paixão

Lamento não haver tido o encontro
Que de pronto, por certo, encantaria
O medo que impediu esse momento
lamento a ausência de alegria.....

Lamento o desencontro da vontade
Que arde no meu peito, reprimida
A dor dilacerada, da saudade
Que presencia a sua partida....

Lamento o carinho que se perdeu
Caminho tortuoso da paixão.....
Aquele longo beijo...que você não deu
Perdido entre o desejo e a sedução....

Lamento tanto sentimento sem sentir
Ressentimento a condenar o coração
Tanta insegurança a resistir.....
A mais sutil e delicada emoção......

Lamento tudo que interferiu
Na realização do belo sonho
O silencio frio, que a ele resistiu
O brilho apagado, do olhar tristonho

Lamento...como lamento!!!
A explosão de sonhos e de dor
Que destruiu a eternidade em um momento
Lamento. .bem sei que lamento
Num pranto sem qualquer rancor
A perda irreparável deste sentimento....

Lamento a triste partida
A dor que ficou escondida
No fundo do coração
Lamento a morte em vida
Que deixou a alma ferida
Que roubou minha paixão.....

Lamento a tola reserva
Recato sem razão de ser
Lamento o imenso pudor
Que minha alma conserva
Mesmo sem o querer.....
.....envolvendo este amor!!!!!

Fascinação

Meu coração se encanta, de pronto ao te conhecer
A esperança se levanta...Há alegria em viver
Toda a tristeza ela espanta em nuanças de querer
A alma flutua e canta, o mantra infinito do ser

A vida se enriquece, há uma imensa euforia
Entoa como uma prece, de paz e de harmonia
Um cântico que não se esquece, som que é doce melodia
Tonalidade que tece, o véu da sabedoria

O amor que a alma acolhe...é profundo e infinito
Destes que não se escolhe, que por si só é bonito
E meu coração o recolhe no limite permitido

Este amor pleno e cativo é todo ele explosão
Movimento sem motivo, denso, é infinita paixão
Que torna o raciocínio passivo, que rouba toda razão

Preenche a totalidade do ser sem cerimônia, à vontade
Lateja até doer posto que é sensualidade
Une a morte e o viver, já que este amor é saudade!

Eu sei

Sei que a vida é ligeira
Irredutível em sua trajetória
Sei também que é trapaceira
Capiciosamente derradeira
No momento em que se quer recomeçar...

Sei que a vida é coisa séria
Estudo, pesquisa, lição
Sei que encerra a grande miséria
Dura prova de múltipla opção
Sei que é a maior pilhéria
Que ludibria nosso coração...

Sei que a vida é um Dom raro
Preparo feito de amor
Engano, erro, reparo
Rosário que tem seu valor
Taxa alta...preço caro
Que pagamos com suor

Sei que a vida é um disparate
Momento fugaz...irreal
Leva na cor escarlate
O fogo do esquecimento
De tudo que é natural
Viver é mesmo uma arte!!!

Sei que a vida é tudo isso
Sem muito dela saber
Do corpo, torna-se um vício
Do coração...um prazer
Da alma, o Dom fictício
Que a impede de morrer!!!!!

Ponderação

É tarde!
O sol beira as áreas do poente
Numa sugestiva forma de quem deseja repousar.
A cor do sol é mais intensa
Bem mais, do que nas primeiras horas da manhã.
Talvez esteja cansado, quem sabe!
Tenciona, com certeza
Pousar teus raios dourados sobre as montanhas ...
e lá permanecer
Como se fosse uma alma atormentada
Que planeja repousar teu desassossego
Nos ombros de algum amigo...
É ...Talvez não seja tão tarde assim!

Meu coração

Meu coração é livre e despretensioso
De um porte olímpico e pagão
É malandro, folgado e manhoso
Cigano eterno, por convicção

Meu coração é um abrigo desmedido
De emoções constantes... coloridas
É dócil, sendo um tanto atrevido
Alegre, como são as margaridas...

Meu coração é rebelde, gozador
Travesso e também sentimental
É ardente, envolvente no calor
Do amor que lhe é próprio e natural...

Meu coração é sensível e delicado
Extremamente sério, quanto as suas decisões
É desatento... É desmemoriado
É surdo e cego em suas paixões!

Meu coração, na verdade
É simples demais para querer rimar
É honesto e puro, em sua densidade
Etéreo demais para se aprisionar

Paixão de rapaz

Os sinos repicam em seus ouvidos
Seu coração bate-bate até demais
Amor, carinho, ilusão, martírio
Posto que tudo isso, nunca o satisfaz

Levanta e já a sente forte
Durante o dia, ela o apraz...
À noite, corre ao seu encontro
Como se dela, dependesse a morte
E ao encontrá-la... não se satisfaz

E se pergunta, um tanto extasiado
Que fim terá essa louca paixão
Que o consome, inebriante e pasmo
Que arrebata o seu coração

Como resposta, obterá somente
A vaga explicação deste amor
Um sentimento nobre, puro... consciente
Que às vezes dói, às vezes lhe dá paz
Porem que nunca... Nunca o satisfaz!

Desencontro

Eu venho, tu vai
Tu chegas, eu vou
Assim vai passando
E o tempo matando
A beleza de um encontro
De alguém a espera
Do amor, que não vem...

E o tempo passando
E a vida cansando
Já vai destruindo
A ilusão que se tem ...
e o amor nunca vem...

Um dia cansados
Já nem percebemos
Que não mais queremos
O amor esperado...
E a doce ventura
De um amor venerado
Desfaz-se em ternura
Num tempo passado!

Alheamento

Alheia a tudo que sou
Por suspeitar demais da seriedade
Pela vida, sonhando eu vou
Buscando na ilusão, minha felicidade
Tão pouco espero desta vida arisca
Que estabanada, dou conta de mim
Bem sei que é fato que, quem não arrisca
Não provará o gosto de seu fim
Mas lá vou eu, curtindo a paixão
Por este mundo, um tanto deslocado
Trago alegrias no meu coração
E a esperança em meu olhar cansado
Por tudo isso, sou um tanto indiferente
Prosseguindo sem nunca me deter
Sou na verdade a maior amante
Que anda errante ao alvorecer...
A vida é um feixe de encantamento
Que por momentos, provoca um torpor
Aguça o espírito, impulsiona o pensamento
Que desatento mergulha nos domínios do amor!
E neste território, deixa-se vagar
Sem ter definida uma direção
É aí que a vida vem se desnudar
Na sua essência que é só paixão
O alheamento é algo muito louco
Que envolve a alma para a proteger
Desta magia sabe-se bem pouco
E, no entanto
É o maior segredo para se viver!

A Porta

Tantas existem ... nem sei
Qual delas que me atrai
São brechas, fendas veladas que transpô-las, não ousei
Uma entra, outra sai
Tantas estão emperradas....
Abertura, recurso, acesso
Um mundo de opção!
A porta é um eterno segredo
Um fracasso, um sucesso
Verdadeira indecisão
Entrada franca do medo...
Tantas existem ... notáveis
Que diferem em forma e cor
Mistérios invioláveis
Recesso sempre velado
Que antes de se transpor
Jamais se vê o outro lado...
Pórtico... passagem secular
Esconderijo do desconhecido
Incomunicável prisão!
São tantas pra se optar
Tantos os rumos perdidos
Que nos causa aflição
Tantas existem.. nem sei
Qual delas que me atrai
Vou tentando enlouquecida
Buscar verdade onde entrei
Para não chegar vencida
Naquela que eu não ousei....

Preço do Conhecimento

Desfrutava a harmonia
Que minha vida seguia
Um tempo farto demais...
E em constante alegria
Displicente eu dizia:
- Não me entristeço jamais!
Sorria a tudo que via
A cada vã fantasia
Herança de meus ancestrais...
Afoito o coração me batia
E displicente eu dizia:
- Não me entristeço jamais!
Caminhei por cada via
Que pela frente surgia
Querendo sempre andar mais...
Assim o tempo corria
E displicente eu dizia:
- Não me entristeço jamais!
Eu vivi com ousadia
De tudo em tudo incutia
Belezas sempre imortais...
E nos meus olhos ardia
A frase que eu repetia:
- Não me entristeço jamais!
Súbito, num belo dia
Uma angústia tardia
Surgiu em fracos sinais.
Aos poucos eu conhecia
A dúvida, quando dizia:
- Não me entristeço jamais.
Tanto já me consumia
Essa dor que me doía
Sintomas quase fatais
Numa espantosa agonia
Atônita, eu quase gemia:
- Alegrar-me....nunca, jamais!

Projeto Utópico

Talvez o que eu procure, não exista
Ou quem sabe, não seja fácil de se achar
O importante é que eu jamais desista
De dedicar-me, na esperança de encontrar
O perfeito entendimento entre as almas
Entre dois espíritos desiguais
É a maior ventura que se pode obter
O sonho mais antigo dos mortais...
O que desejo é o verdadeiro éden
A plena harmonia de todo meu ser
O conhecimento que excede
A ampla dimensão do que é viver...

Saudade

Saudade
É ausência, é martírio
É tristeza, alegria
É a poesia de um lírio
Nos campos doces da vida...
Saudade
Terna lembrança
Desespero, agonia
Saudade
É dor que não cansa
É eterna companhia...
Saudade
Desconcerto, solidão
Saudade
Consumato de ilusão
Saudade
Balanço insistente
Permanente inspiração
Saudade
Imensa esperança
Recurso do coração

Angústia da espera

Sua ausência descompassa os meus dias
Que se transformam num espaço sem medida
Amontoado de tempo que perdeu a dimensão
Sua ausência fere e angustia
Abrindo em meu peito uma ferida
Que dolorida me maltrata o coração
Sua ausência é prova que me vence
Minando aos pouquinhos minha resistência
E embotando os sentidos da razão...
Sua ausência ultrapassa o clima de suspense
Num jogo que instiga minha paciência
Num mal que me enlouquece de paixão
Sua ausência, distanciamento de mim

Angústia e fragmentalidade

Dor que dilacera a alma, como implosão
Sua ausência me deixa triste, abatida enfim
Inerte frente à impossibilidade
De na verdade encontrar a solução
Meu coração alquebrado chora silente sofrido
Em ânsia contida, aguarda um movimento seu
Desprovido de esperança e emoção
Sua ausência é para mim o maior castigo
Que um dia um mortal já concebeu
Num requinte de cruel obsessão
Sua ausência me preenche rudemente
Sem deixar espaço algum para me aliviar
Não permitindo qualquer aproximação
Sua ausência me castiga lentamente
Numa vingança por ter ousado tanto amar
E não ceder a nenhuma forma de pressão
Sua ausência é meu desatino
Que imagino vai me consumir
No vale estreito em que habita a minha dor
Sua presença é o meu destino
Tão pequenino e pronto a persistir
Na inexorável força deste amor...

Mãos que se encontram

Que belo o encontro das mãos,
mãos que se unem movidas pela delicadeza de sentimentos
que se encontram como amigos em um caminho
que se juntam, e gentilmente misturam-se em suas emoções
Que bela a dança das mãos
onde os dedos se entrelaçam mansamente
numa performance de eterno carinho
no ritmo cadenciado de dois corações.
Ah! A beleza de estar de mãos dadas.
Um gesto singelo de querer bem.
Como se as almas, estivessem atadas
de há muito tempo além...
Essas mãos que por minutos se aproximam

No toque mágico do amor
São as mesmas que sozinhas ficam
Na solidão e na dor.
Mãos que se distanciam lentamente
Aceno solitário em despedida
São mãos que outrora tão contentes
Mesclavam-se na essência da vida.
Há que se buscar urgentemente
Um antídoto para esta agonia
Posto que a união é inerente
Ao amor... que é a própria harmoni

Espaços Secretos

Em minha alma há um espaço escondido
Que abriga um desejo singular
Há momentos em que eu o sinto perdido
Por entre as vontades, tristonho, a vagar...
Minha alma o reconhece
Desde outra dimensão
Em sua solidão jamais esquece
O sabor da mais intensa ilusão...
Há que se perpetuar pela eternidade
A docilidade que o envolve ternamente
E há que se perder por entre os anéis da idade
A fragilidade que o conserva intermitente
Em minha alma há um espaço proibido
Onde vive aprisionado um duende...
Alegre, infantil, quase atrevido.
Mas que ninguém, jamais o compreende...
Minha alma o acolhe com ternura
Alimentando-o em sua prisão
O seu confinamento é uma tortura
A derramar toda amargura,
Em meu próprio coração.
Há que se criar uma brecha no tempo
Por onde ele possa, finalmente se expressar.
E há que se permitir ao desatento
Um vão momento para se libertar...
Em minha alma há este duende a desejar
Um vôo aos pés do Cristo Redentor
Há um espaço vago, que teima em pulsar.
Vibrando com loucura o meu amor

Esperança

Esperança é a vida que desperta
É o auge de uma alma que padece
Esperança é um sinal, é um alerta
Para todo coração que se entristece
Esperança é um riso repentino
É um ânimo que surge sem querer
É um amanhecer, tão vespertino
Que nos desperta a vontade de vencer
Esperança é a chuva que desaba
É a pausa na manhã que se perdeu
É o relâmpago que no infinito se acaba
É o que resta de quem sobreviveu!
Esperança é o lapso da mente
Um mistério que ludibria a razão
É um poder sutil e displicente
Que enfeita docemente o coração
Esperança é o gozo sem prazer
Um gesto farto, uma luta inconsciente
É a determinação de se obter
Conquistas sem precedentes...
Esperança é o trabalho
É esforço, constância, é a dor
E tudo isso é apenas um retalho
Prefácio vago do que é o amor
Esperança...
Um estado enigmático
Performance defensiva de coragem
Tributo consciente e pragmático
De quem deseja prosseguir sua viagem...
Hora dos amantes
Em meio aos sonhos, o desejo
Busca a realização
Na ânsia de se esgotar...
Bocas se perdem no beijo
No fogo em que arde a paixão
No gosto suave de amar
Aos poucos vem a loucura
À procura dos sentidos
Dominando a ansiedade
Numa explosão de ternura
Ambos se sentem perdidos
Tocando a eternidade.
Os corpos se movimentam
Como louca sintonia
Feito uma dança imortal
Os corações se alimentam
Do impulso da energia
Que é própria e natural
Assim atravessam a madrugada
Entregues ao louco prazer
Como a se embebedar
Duas almas de mãos dadas
Dois corações a bater
Dois corpos a se completar
Unem fronteiras e espaço
Celebram a conexão
Do que era individualidade
O mundo se resume no abraço
Que provoca a explosão
Até a saciedade...
Entregam-se inebriados
Ao mundo das sensações
Isentos de culpa ou pudor
Amantes cumpliciados
Ardendo em suas paixões
No doido jogo do amor...

Lembranças

Lembranças... quem não as tem
Cravadas no coração
Lembranças são companheiras
São inimigas também
São elas a grande atração
Desta vida passageira...
Lembranças ... quem não as tem
Esquecidas na memória
Revividas na ilusão?!
Herança que é de ninguém
Lança que conta uma estória
Na dança da imaginação
Lembranças ... quem as esquece
Por mais que o deseje fazer
Nos resquícios da razão?!
Lembranças, bagagem que cresce
Na trilha do sobreviver
Nas vias da solidão!
Lembranças ... quem não as tem
Não importa a idade
Não existe condição
Lembranças chegam e partem
Se alojam na saudade
E de lá, não saem não
Lembranças ... culto à verdade
Escoro da hipocrisia
Fuga cômoda e gentil
Compete com a realidade
A certeza, desafia
De tudo o que já resistiu...
Lembranças são pensamentos
Divertimentos hostis
Atrevimento ousadia!
Lembranças são meros momentos
De quem se julga feliz
Tendo-as por companhia!

Corpo de Mim

Meu corpo é templo de seus desejos
Sei-os todo...
Um a um...
Derrete na loucura de seus beijos
E não abre mão de nenhum!
Recolhe do seu, o perfume
Que exala cheiro de dor
Exaure-o por sentir ciúmes
De cada gesto de amor.
Meu corpo é abrigo de seu fogo
Que queima como lava incandescente
Espaço onde se faz o eterno jogo
De amantes, que se buscam loucamente.
Meu corpo frágil, pequeno
Recebe o seu sem limite
Mergulha em seu veneno
Num aceno ao seu convite
Meu corpo é pleno, infinito
Na ânsia de sua loucura
Em seu eterno querer
Meu corpo um vaso esquisito
Onde uma rosa tão pura
Busca a razão de viver...

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