Juju Campbell

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Re-inicio

Em meio ao riso
meu reinício
não me escravizo
meu reinício
NO MUNICÍPIO
meu reinício

Está quente ou frio?
meu reinício
sem muito sino
meu reinício
sem letargia
meu reinício
entre magias
meu reinício

Como é difícil!
meu reinício
meus "eus" precisam
de meu reinício
e a FANTASIA
reinicia

Ai, que suplício
meu reinício
fui eu quem qui-lo
(meu reinício)
fi-lo porque qui-lo
(meu reinício)

Definitivo
meu reinício
não renuncio
re-inicio

O que são os anos?
Marianne Moore

Qual é nossa inocência
Qual é a nossa culpa?
Todas são nuas, nenhuma é segura.
E donde está a coragem
pergunta não respondida
dúvida resoluta
caladamente chamando,
surdamente escutando
que na desgraça,
até na morte encoraje
a outros e em seus reveses agite.
A alma está a fortaleza?
Vê profundamente
e alegra-se aquele que acede
à sua motalidade e em sua prisão
eleva-se acima de si mesmo como o mar
numa lacuna lutando
por ser livre e incapaz de sê-lo
em sua capitulação
encontrando sua continuação
Assim aquele que fortemente sente,
comporta-se.
O próprio pássaro
que crescendo ao cantar,
forja sua forma reta acima.
Embora esteja cativo,
seu poderoso canto
diz ser a satisfação
coisa inferior e quão pura é esta coisa:
a alegria
Isto é mortalidade
Isto é eternidade

MULHER E SUA OBRA
... à Janette Raiá

I
Você é sonho dourado
Encanto inesperado
No centro do bairro de Machado
Largo e autor uma só estátua

II
Você é um doce no seu mundo
centro - centrado nas imagens
mundo quadros vegetais candelabro
(lado esquerdo: desesperado)

III
Mãos em vôo vão desenhando
em ciência, persistência, retratos,
até que só um cósmico religar
suster-nos-á o humano cansaço
Se ao PRIMEIRO PRINCÍPIO remontarmos
retornando ao primeiro barro
voltarmos até com Janette
a musicais sinais alados

IV
Janette: de um lado giro
também nuvem hábil rendilhada
rédea: dominando forma
graça múltipla multiplicada

V
Obra e JRAIÁ são agora: uma
(na idade precisa, preciso enfeitá-las)
rápida no que num terceiro milênio
sejam a MULHER E SUA OBRA em felicidade

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A PINTORA E SUA AURA
... à Neize Martins

I
A cidade repleta de seres incompletos
busca alívio do que a fere.
São incêndios, assaltos, tiroteios
nossos alimentos.
E penetram-nos os seres por inteiro em ofertas.

II
Por isso a respiração das tintas sobre as telas
volve após seu uso à água que a dissolve
e não a espelha.
Continuamos eu a Neize o diálogo das calçadas
até entranharmos a noite que chega
conversando: arte tépida.

III
Assim conheço sua morada
a artista que trabalha, que desliza e que desvela.
Tomando o ritmo e em oxigênio:
figurativos os vegetais
e plantas de sua íntima floresta.

IV
Depurado desenho entre as molduras as
mais severas chegando ao pontilhismo e
ao abstrato: delimitandofibra e flora
em sintética forma geométrica.

V
E Neize e sua arte
agora de braços dados caminham.
O pintor destarte, sua aura evolução, sendo:
SUA SÍNTESE
SUA CONQUISTA
SUA RÉSTEA LEVE
SEU PROGRESSOA SUCESSO

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LÉGUAS - QUILO

Quantas léguas-quilo
De jormais devoro
Para emitir duas paginás
De um juízo correto?

Quantos meses meço silêncios
Até que ouvidos captem
A melodia ignota
Original
Inédita
De meu eco?
Quantos países perco
Nestes pavimentos
Que me cercam
E encerram?
De quanta criança me privo
Por seus amanhãs mais justos
Menos incertos?
Quanto chumbo de solidão carrego
Solidão que não peço?
Em que conclaves
Não me arrisco
Pensando haver caminhos
Mais retos?
A quanto exílio me vetam
Crendo-se o tirocínio certo?
Como montar o meu filme da vida
Sem reprises de minha imaginação
Tridimensional espacial
Hodierna e pregressa?

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