Guilherme Fadda

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ENGANOS

Há pequenos e grandes enganos
há erros, falhas e desenganos
há loucuras que passam ou ficam
deixam marcas tão atrozes
e feridas que não cicatrizam.
Do tempo, resta a esperança
de dias com novo porvir,
pois sempre há as lembranças
abraçadas a nos dividir.
Enganos são normais,
as falhas, também as são.
Mas há erros cruciais
quando partem do coração.
Não sei até onde se erra
ou mesmo quando se engana ,
se há erros quando se ama
ou enganos quando se encerram.
Há erros que ficam
e marcas pra não esquecer.
Há enganos que são perdoados
por se amar até morrer.
O maior erro do amor
é o amor que nunca erra.
O amor que desponta
nas coisas simples que vem.
Como exemplo: uma simples palavra
ou um puro e doce meu bem.
Num olhar terno e casto
a pureza vem juntar-se
as coisas mais puras do amor
e difíceis de esquecer.
Mas quando um amor vai embora,
um continua vivendo mas
sempre querendo morrer.

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ESPUMA DE AMOR

Tão suave deslizava
entre dedos, teus dedos
no teu corpo minhas mãos.
Mergulhava meus anseios
nos sonhos dos devaneios,
na busca de uma paixão.
Imerso a tanto perfume
que brotava no teu ser,
enlouquecia de ciúme
por tanto amor possuir
e olhava a natureza,
como um rival a surgir.
Imergia àquela loucura
de ver na espuma a brancura
que banhava o teu corpo,
e nele, eu deslizava.
E ao ver-te envolta à espuma
a tua pele beijar,
sentia ciúmes loucos,
amargura e dor.
Só percebi quando
aparecestes a sorrir
a tanta espuma de amor.

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MARCAS

O tempo deixa marcas
que o próprio tempo desfaz
e nós nem percebemos.
São cicatrizes doídas
vindas de tempos atrás,
e que, às vezes, merecemos.
Passa o tempo que passar
as lembranças irão ficar
de tudo que o tempo legou.
Hoje, todas amenidades
foram transformadas em saudade,
saudade de um grande amor.
Até as lágrimas caídas
das lembranças sentidas,
na certa, irão secar.
Embora, hoje, entenda
que me fizestes sofrer
somente por me amar.
Nem toda lágrima
é chorada pela dor.
Há lágrimas que são de alegrias,
há lágrimas que são de amor...

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COISAS ASSIM

Me agrada de toda maneira,
me agradam os seus carinhos,
me agrada seu modo de ser,
me agradam suas brincadeiras.
Tantas coisas me agradam
se tenho você por inteira.
Nas coisas simples que faz
como pentear os cabelos,
sorrir do Sol que desponta
no ocaso triste a chegar.
Brincar com um simples gesto,
brincar em forma de amar.
São coisas assim em você
que torna meigo o seu ser
que tocam e tremem,
distraídos sem você saber.
São coisas assim que eu gosto
e faz-me gostar ainda mais de você.

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O BEIJO

Como sugar da vida o alimento
pela necessidade de sobreviver.
Tirar de um beijo o néctar proibido,
sorrir em lágrimas toda a alegria,
chorar em riso a nossa nostalgia
e selar nos lábios um amor querido.
Quando se encontram os lábios
de um grande e amante amor,
é como selar pra sempre
a sede de um alucinante fervor,
enviar mensagens antes tão sofridas
e acabar de vez com a própria dor.
No beijo ardente e apaixonado
do amor perdido ou abandonado
nos recordamos e na fantasia,
nos vem o pranto de um derrotado.
Mas no instante de um grande beijo,
nós nos deixamos nos haver sugado.
Alguns se beijam para agradecer,
outros, se beijam por cumprimentar,
também, há os beijos só por caridade
e os beijos jogados no ar.
Para mim os beijos são tão sublimes
que não consigo meios para avaliar.
Ah! Como posso dizer do beijo,
o beijo ardente, puro e sensível,
o proibido, o beijo impossível,
aquele beijo dado para amar.
É preferível não falar do beijo,
o melhor do beijo, é saber beijar...

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EU QUERIA

Eu queria ser a brisa
para tocar seu rosto,
inebriar seu corpo
e ouvir você...
mas não sou.
Se fosse, a teria envolta
em meus braços ternos
pra te proteger.
Eu queria ser o seu perfume,
estar juntinho sem se aperceber,
espalhar na brisa toda poesia
e embriagar você...
mas não sou.
Se fosse, a envolveria
de tanta nostalgia
e até roubaria
um pouco de você.
Eu queria ser a terra molhada,
a terra perfumada
e lhe proteger...
mas não sou
Se fosse, até guardaria
as marcas lá deixadas
com as suas pegadas
pra me enternecer.
Eu queria ser a chuva
pra quando cair
na sua pele, umedecer você...
mas não sou.
Mas se pudesse a chuva ser,
a transformaria em garoa
e com muito carinho
não magoar você.
Eu queria ser a Lua
e toda noite iluminar você
com sua luz brilhante,
enfeitar você...
mas não sou.
Se a Lua fosse, a levaria
para amplo espaço celestial
e com sua energia
a protegeria de todo o mal.
Enfim, eu queria ser o sonho
e sonhar com tudo
que queria ser...
mas não sou.
Agora ! Sei que vivo sonhando
com tantos sonhos
por estar amando
mas, tudo acabou...

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MINHA SOMBRA

Sou uma sombra
que vagueia pelas ruas,
uma sombra que se arrasta com a dor.
Minha sombra se mistura com a tua
e se perde no caminho com amor.
Já não posso
controlar a minha sombra,
pois a tua, ela persegue incessante.
Estou só, tendo um corpo simplesmente,
não passando de uma sombra ambulante.
Inutilmente, procurei
afastar minha dor e o desespero,
quanto esforço pra acabar
mas no fim, a minha sombra,
a tua, ela insiste em procurar.
Quantas vezes estou perto de ti
sem sentir tua presença a meu lado,
quantas vezes, só ouço a minha voz
e tão distante me vejo abandonado.
Na verdade, não passo de uma sombra
que devia estar perto de mim,
uma sombra brincalhona e vadia
que vagueia sem saber aonde ir.
Quem sabe um dia
nossas sombras, ainda,
possam se encontrar
nas andanças dessa vida tão doída,
quando o certo, seria te deixar.
É preciso frenar a minha sombra,
vagabunda, ordinária e tão vulgar,
que impensadamente e corrompida,
deveria procurar o seu lugar.

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CANTO DE AMOR

Vem meu canto de um canto
sem saber de onde vem,
é o canto do meu pranto,
a cantiga de um bem.
Jorra a lágrima perdida
a correr suave a face,
passa tudo passa o canto,
só espero que não passe.
Venha o canto passe o pranto
e alegra meu caminho,
afaste o desencanto
se enxugue todo o pranto
a cantar todos amores.
Vão os pássaros em revoada
num tropel de cavalhada
aturdindo a visão.
Roda a carroça antiga
arrastando com preguiça,
na roda, tamanha pressão.
No fim do dia,
transbordando de alegria
uma enxurrada de emoção.
Volta o canto do meu canto,
sai a cantiga do peito
na batida do coração.
E pra viver só por viver
diante de tanta beleza
mas, sem amor em nossas vidas,
é preferível morrer.
Porém, quando se tem amor,
como é gostoso viver.

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COR DA PAZ

Dobra o sino na igrejinha
do lugar onde nasci,
uma igreja toda branca,
cor da Paz que conheci.
Muitas flores pelas ruas
enfeitavam os jardins,
eram flores multicores
como a paleta a reluzir.
Aos domingos na igrejinha
minha Fé junto comigo,
na oração a esperança
de um dia estar contigo.
Essa Paz tão esperada
tão sofrida na exaustão,
tem no amor os devaneios,
anseios de uma paixão.
Hoje, canto em poesias
meu lamento tão tristonho.
Sinto a falta dessa Paz,
que não passa de um sonho.

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APENAS, PARA QUEM AMA

Desperta sonolenta
e preguiçosa estrela,
aponta em minha direção
seus dourados raios
e aqueça-me.
Seu calor que por ela chama
se embrasa e queima.
O suor corre em meu corpo
como cascata a deslizar suave
da saudade traduzida em canto.
No ocaso, cansado você aceita
como a cumprir o ritual da seita,
clamando a noite
que está para chegar.
É o milagre natural que clama
e desabrocha a tantas fantasias
de alguém que de amor reclama.
Na chuva fina que chorando cai,
umedecendo o rosto
de alguém que vai.
Tua presença tão almejada
somente existe,
apenas, para quem ama...

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NELSON GONÇALVES

Parece que foi ontem,
tão rápido e surpreendente
que o rouxinol emudeceu.
Silêncio melancólico e triste
a nos privar do canto que insiste
em calar o cantor que adormeceu.
NELSON, boêmio e cantor
da madrugada e sedutor,
partiu para sempre a nos deixar.
Ficou vago o seu reinado
sem deixar alguém com predicados
para assumir o seu lugar.
Madrugada calada,
hoje, já não se ouve a sua balada
que expulsava a solidão.
Mesmo amargando a tristeza,
sua voz enriquece a beleza
sempre numa nova paixão.
Partiu o seresteiro-cantor
com sua voz aveludada de amor,
deixando o mundo a chorar.
NELSON GONÇALVES, saiba que,
mesmo, nos deixando,
para nós, você sempre existirá...

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O INFERNO AO VIVO
(World Trade Center)

Alienados e dispostos a ceifar vidas
usando como arma um pássaro,
que, como um bólido engolia o espaço
a trombar com a vida.
Espalhando o terror e o medo
como a lidar com um brinquedo,
se pareciam apenas,
como vermes suicidas.
Inverossímil, irreal
assassino e irracional,
num gesto animalesco
os monstros se regozijavam.
Nas mentes corroídas e doentes
sem pensar como gente
da tragédia se alegravam.
Como trovões explodiam
num impacto desastroso
àquela muralha imensa.
Vidas se dissipavam
sem saber ou imaginavam
ser o fim da própria existência.
Estarrecidos com o cenário,
as pessoas não acreditavam
naquela realidade terrorista.
O povo atônito e incrédulo
tentava despertar do pesadelo
que lhe imputava essa vida egoísta.
Dezenas de milhares de vidas
eram dizimadas e desgraçadas,
em holocausto,os heróis
do fogo tentavam com destemor
invadir o inferno que os aterrorizavam.
Frente ao vulcão enfurecido
mas com o desejo desprendido
de lutar com ardor,
levavam a luta com galhardia
ao encontro do vulcão que os engoliam.
Este dia ficará marcado
a todas as pessoas racionais,
na mente da humanidade
e certamente, detestado será
lembrado como o marco
de a grande atrocidade

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NUVEM

Ser uma nuvem esboçando imagens
que, possamos contemplar
e sentir de perto que estou presente
Ser um pássaro a alçar vôo
e no seu canto poder contá-la
que ali estou, mesmo você ausente.
Ser o vento e varrer com fúria
a tristeza que trago comigo,
espalhando na alma a desventura.
Ser a chuva torrencial
levando à vida a um manancial,
cobrindo-a de sombras escuras.
Ver o Sol galante a gargalhar
da tristeza que, insiste em minar
a alegria trazendo dores.
Ver a vida, a eterna vida
vitoriosa, linda, criadora
na sua pujança criando flores.
Isto é a vida...

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AMAR É ...

Amar é veneno com gosto de mel,
é ver partir ficando sozinho,
é sentir calor mesmo fora do ninho,
é deliciar-se com o sabor do fel.
É partilhar do pouco que se tem,
é estender a mão a quem não se deseja,
é suplicar alguém que proteja,
é viver a vida junto de alguém.
É a verdade bem mais verdadeira,
é a dor que não sentimos,
é a saudade, mesmo quando não partimos,
é brigar, apenas, por brincadeira.
É acreditar na pessoa amada,
é sorrir mesmo sem vontade,
é mostrar ao mundo sua felicidade
e desejar sempre a pessoa almejada.

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CLARIDADE

Ver em ti Lua querida
a luz que mostra a certeza,
ver-te linda com muita riqueza.
Luar de prata a banhar
sonhos de amor
e esbanjando beleza.
É minha Lua toda essa loucura,
em ver teu brilho iluminando
meu mundo a jorrar.
Precioso bálsamo a acalentar
o esplendor da claridade,
abençoando este meu lugar.
Socorro que busca
nas estrelas a sua pujança,
reacendendo a minha esperança.
Nesse brilho cor de prata
que enriquece o meu viver,
faz voltar a minha bonança.

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ETERNA

Madrugada fria a mostrar
serenidade e a beleza
do orvalho a gotejar.
Gotas de prata deslizando
na rosa púrpura,
de a lágrima a dor amenizar.
Brisa mansa que conforta,
trazendo a Paz tão preciosa
ao nosso bem-querer.
No silêncio do alvorecer,
a natureza fica mais viçosa
e afugenta seu fenecer.
Pela manhã, o Sol raiando
a luz que nos aquece
jorra sabor de felicidade.
No renascer, um novo dia,
onde a tristeza logo esquece
e a beleza vara a eternidade.

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SEDE DE AMOR

Sinto a brisa e não a vejo,
nela sinto você
e logo, sinto embriagar-me.
Sinto a noite conspirando
sem me dar o direito de defesa
e certamente, a condenar-me.
Vejo o mar bravio
a explodir as ondas
tal e qual as emoções.
Tenho na Fé o meu escudo
como uma barricada,
feita somente de orações.
Na beleza, tenho as estrelas
a encantar belo cenário
espocando no espaço.
Na minha sede de amor,
falta apenas, o seu carinho
e o calor de seu abraço.

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CHIQUINHA GONZAGA

É o Rio de Chiquinha, terreiro gigante.
Prosa de fim de tarde, é o prazer constante
do carioca moleque que está sempre feliz.
Da beleza natural, bucólica e atrevida
fazendo a vida ser mais vivida,
dizendo tudo sem pensar no que diz.
Rio Antigo de Janeiro, de músicas e poesias,
de críticos com hipocrisia
tentando conter o amor.
O amor que contagia e desperta
a coragem, deixando a porta aberta
para espantar a dor.
Rio de CHIQUINHA GONZAGA, a forte,
mesmo na multidão, destaca o seu porte
com seu carisma a explodir.
Desbravando caminhos difíceis
em qualquer tempo, nunca negando
seu apoio e sempre a sorrir.
Ante aos menosprezos sofridos
e desdéns por ela repelida,
Chiquinha muito lutava, eu bem sei.
No seu testamento deixou por escrito
em sua lápide como um grito:
"Tive muito amor. Sofri e chorei".
Mulher de ferro, coração valente,
cuja fibra na luta sempre se fez presente,
estava sempre disposta a ajudar.
Ah! CHIQUINHA GONZAGA, Paixão.
Um mito em forma de coração, avisava:
'Ó ABRE ALAS QUE CHIQUINHA VAI PASSAR".

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TIRANO

É você malvado, preguiçoso e lento
que nos carrega por algum tempo
nos impondo a um pesado fardo.
É você que castiga, arrebenta,
que durante todo tempo nos apoquenta
preso ás lembranças, magoado.
Tempo que voa depressa nos contando
coisas lindas, as que desapontam
nas lágrimas e nas ironias.
Tirano mordaz que alimenta
a esperança, que destrói e sustenta
a difícil escolha: Tristeza ou Alegria.
Aos pouco, você discorre a vida
sem nos ensinar como caminhar
junto a você sem discutir.
Como página virada,
de repente, mostra uma nova estrada,
seguir em frente sem sucumbir.
Bem longe, vai mostrando
tudo o que vimos e desejamos
na imagem fria da esperança.
Aí, eis que, nos postamos sozinhos
ao léu e fora do nosso ninho,
tropeçando apenas nas lembranças.

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ESTENDA A MÃO

Você pensa, pensa, vai pensando.
O tempo? Passa, passa, vai passando,
de repente, nada você percebeu
que no espaço deixado junto a nós,
sentimos que aquele tempo? Já aconteceu.
Por vezes, vem a vontade de reagir
aos estímulos que a vida nos invoca,
porém, essa força logo espairece.
Por mais que queiramos despertar
e impor a nossa vontade,
a mesma vontade, logo desaparece.
É assim, o tesouro é a vida
que esbanja suas dádivas
para que possamos dispor.
À nossa volta tudo está ali,
bem perto, basta estender a mão
e sentir que a vida...é o amor.

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ALERTANDO

Um sonho senta-se comigo
e a meu lado, sinto
que ele deseja desabafar.
Absorto, ainda espero que
tudo não passe de fantasia
e de repente, acordar.
Começo a divagar
voando alto no espaço
a procura de um lugar real.
Acontece algo eu sinto,
e aos pouco, vou sentindo
sua presença bem natural.
Vou ouvindo confidências,
seus segredos pessoais
mas, percebo melancolia.
Levitando ante as confissões,
vou então percebendo
o quanto ele sofria.
Num passe, desperto
para um mundo aberto
a cochichar-me ao ouvido.
O sonho, aquele que ali estava,
alertava-me a repassar
tudo o que eu havia vivido.

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AMOR, AMANTE E LOUCO

Dei pra chorar de alegria
por qualquer coisa que fazia
sem mais e nem porque.
Peguei-me a sorrir sozinho,
mesmo, errando o caminho
que me levava a você.
Brigava comigo mesmo
soltando palavras a esmo
só para desabafar.
Sonhava acordado, somente,
para tê-la a meu lado
e não perder tempo para amar.
Pegava-me falando com Deus
suplicando perdão pelos erros meus
e ter a paz como amiga.
Tendo você junto a mim,
sei que será longo o meu fim
e ainda, darei muito amor nesta vida.
Ilusão é bebida de amor
que ajuda a afastar a dor
daqueles que vivem amando.
De amor, amante e louco
todos nós temos um pouco,
daí, passarmos a vida sonhando.

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LUXÚRIA

Teu calor, teu porte, teu cheiro,
teus beijos ardentes e brejeiros
levam-me a perder a razão.
Beijos queimados de veneno
a morder meus lábios obscenos,
mergulhados na imensidão.
Teu corpo esguio e escultural
estremece o sonho sensual
que se contorce junto à clareira.
Queima a carne cobiçada
que todos têm almejado
sugando seu calor na fogueira.
Volúpia, sangue, desejo
a explodir sem que exista o pejo
acabando de vez com a virtude.
Ah! Doce carinho sonhado
do teu corpo desejado
em toda plenitude.
É luxúria essa carne animal
que alimenta o clímax divinal
da fêmea a torturar teu par.
Cessa o calor do fogo ardente,
pois começa a germinar a semente,
suplicando veemente pelo ar...

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RICO OU POBRE ?...

Já bebi Cerveja, Conhaque, Parati.
Bebi o Licor, o fogo como aguardente.
No Vinho, senti o aroma de seu carinho.
Convivi com a solidão remoendo
o vazio da sua ausência
e a falta do nosso ninho.
Traguei o Inverno da vida
e o desespero de não ter
para mim seu amor.
Fui rico e poderoso,
gastador o tempo inteiro
despojando-me até da alegria.
Hoje, sou pobre, agora sou,
perdi o que muitos desejam
ao perder as fantasias.
Tive tudo em minhas mãos
e não soube segurar
o que, por entre dedos escapava.
Perdi muita coisa bem sei
e não deveria perder,
inclusive você, a quem amava.

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DESEJO

Desejo beber da água
da fonte esquecida
e saciar minha sede de amor.
Mitigar esse desejo
de vê-la fogosa.
Beijá-la com ardor.
Desejo sugar seus lábios
com sabor de hortelã
e mergulhar no Infinito.
Passear pelo espaço,
navegar na eternidade
e despertá-la sem grito.
Desejo-a junto a meu peito
que explode de angústias
fazendo-a sorrir.
Envolvê-la em meus braços
e aquecê-la com a loucura
dos meus beijos a explodir.
Tantas coisas que desejo
tendo a sua cumplicidade,
transformar tudo em furacão.
Sair pelo mundo gritando
que de amor nós nos juntamos,
apenas, para morrer de paixão.

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CANTO DE NINAR

Te encontrei chorando
no meio do caminho,
abracei-te com beijos
e muito carinho.
Roubei-te da noite
para te afagar.
Só com teus beijos
sinto-me feliz
e no teu calor,
volto a me aquecer.
Quando estás comigo,
luto contra o mundo
sem medo algum,
sem medo de perder.
Envolvi-te inteira
na minha poesia
e em cada verso, sei que estarás.
Levo comigo esta fantasia
para fazer amor
num canto de ninar.

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QUANDO OS SINOS DOBRAM

No dobrar dos sinos,
a nostálgica noite
vem nos entristecer.
Sonoro cântico
que entoa um noturno
ao nosso envelhecer.
O vento forte e frio
corta inclemente o espaço
e força o chorar das folhagens.
Murmúrio triste
das folhas a debater-se
furiosa a outras ramagens.
No ar, seu perfume
que misturado às flores,
fulminante me embriaga.
Correndo sem rumo,
liberto-me em soluços
de uma tristeza amarga.
Deliro com seus beijos
que permanecem quentes,
aos pouco, sinto-os presentes.
Varo noite adentro na certeza
de voltar ao ontem, quando a tinha
em meus braços docemente.

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MUTANTE

Na pedra, o açoite,
o vento a estilhaçar
ruindo a imagem original.
Ao léu, vai-se desgastando
como um sonho e se acabando
perdendo-se no trivial.
Surge, entretanto, a imagem
de uma escultura plangente
de rara e singela beleza.
Curvas ardentes, moduladas,
sinuosas e emolduradas.
Criada por um mestre, com certeza.
Lentamente, se desgasta,
sendo incapaz de perceber
quão mutante se transforma.
Um dia, estará pronta num instante
e continuará seu processo
a procura de outras formas.

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MISTÉRIOS

Vi os pássaros e a passarada
navegando em revoada,
vi as nuvens sobre a cidade,
todas defloradas
pelo vento altivo
mostrando virilidade.
Vi as águas bailando
arrebatando-se nas pedras
como a se vingar das mesmices.
A alva espuma se dissolvendo
como o algodão ao sabor do vento,
espalhando-se nas planícies.
Vi as flores despetalando-se
com a brisa mansa chegando
a despir-se pelo jardim.
Vi germinarem sementes,
o milagre da renovação
da vida, um eterno sem-fim.

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ILUSÃO SEM NOME

Vem ilusão sem nome
que conhecemos de passagem
como a beleza a surgir.
Mistério que se chama vida
dando tudo sem pedir,
mas logo, insiste em punir.
Como o ópio que embriaga
velejando em sonhos loucos
e afundando na incerteza.
Afundamos em mundo estranho
acreditando ser a verdade
e acabando com a beleza.
Suave em alguns momentos,
divagamos certamente,
como se fosse natural.
Porém, é certo que tão logo,
mistura-se à fantasia
e chega-se ao final.
Feiticeira de promessas,
acreditamos ser verdadeira
tudo o que disser.
A um passeio viajamos
mas sem poder confiar,
por se tratar de uma mulher.

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MADRIGAL

Ele dorme o sono justo
a espera de um tempo para
o despertar sonolento,
e assim, sorrir pra a vida.
Ele espera que a vida
passe o tempo a brincar
com o madrigal poesia
e a sua amada querida.
No limiar do renascer furtivo,
eis que, fulgurante e altivo,
surgirão os primeiros raios dourados
a nos agasalhar, cobrindo
de sonhos e arremedos tantos,
que de medo tenha-se acabado.
Mostra-se a todos com ternura
envolta em sua doçura
e o Sol, com seu sorriso aberto,
a certeza de viver.
Ao iluminar o Céu,
o mar e as montanhas,
iluminará alguém que espero
e que desejo, e esse alguém, seja você.

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TUDO

Quero beijar você
da cabeça aos pés.
Enlouquecer de amor
até perder a razão.
Quero sentir seu corpo
bonito e sensual,
sugar seus lábios
de vermelho animal.
Quero subir ao topo
e de lá, olhar você,
ver sua nudez,
ver você se espreguiçar.
Ver o Sol a explodir
em seu corpo derramar,
deliciando-me com essa loucura,
e desfalecer de tanto amar.
Quero você todinha,
toda inteira para mim,
olhar dentro de seus olhos
e aceitar você, enfim.
Eu quero tudo
mas que venha de você,
quero me perder em seus braços
e me inundar de prazer.

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LEMBRANÇAS

O que é a lembrança
se não o relembrar constante
de tudo que se passa num instante
e fica para sempre gravado.
É a saudade congelada
de alguém apaixonado
que não se conforma com a dor
e se corrói com o passado.
Lembrança, saudade, a dor cruel.
Amarga como o fel
que atormenta corações
com suas desilusões.
É o remoer de sonhos,
o contemplar da Lua,
a súplica a sua madrinha
e a volta das emoções.
Lembrança é suprema dor,
é à vontade dos momentos
em que a loucura insana
nos sufoca de paixão.
Sacode nosso peito
levando-nos ao delírio,
com gritos sufocados
à deliciosa sedução.

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ATÉ O PECADO

Para se amar não existe hora,
lugar, nem planejamentos.
Para se amar só existe o momento.
Para ser feliz, apenas, é preciso
que o amor prevaleça,
sobretudo, sem constrangimento.
O amor é o tesouro infinito
que não se afugenta com gritos,
há de haver só emoção.
Um gesto de carinho,
o meneio das nossas mãos
na carícia e na sedução.
Para se amar e ser amado,
mergulha-se até no pecado
de se amar à exaustão.
Mas para que esse amor
seja infinito e duradouro,
ame, mas, somente com paixão.

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JUIZO FINAL

Do peito a explodir
a emoção forte pulsava
a reclamar da vida.
Como tentáculos, vasculhava
meu espaço antes intransponível,
hoje, uma pobre ferida.
Na ânsia de sentir
o próprio ego, despe-se,
esbraveja e reclama.
Sacudindo as vestes maltrapilhas
a embolar-se nas armadilhas,
que às vezes, do homem emana.
Sucumbe-se ao caudilho
que feroz atira-se
ao interior da alma.
Inerte ao final, indefeso,
procura na chama
o pouco de sua calma.
Arrebatando forças do nada
ele tenta e procura competir
de igual para igual.
Arrefece-se aos pouco
sua dependência de louco
e entrega-se ao Juízo Final.

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QUANDO VEJO VOCÊ

Quando a vejo quase desnuda,
apenas, com vestes ínfimas,
rapidamente, a imagino nua.
Seu porte imponente se destaca
respondendo àquela chama
que provoca e insinua.
Dengosa e insinuante
a explodir a cada instante
como as lavas de um vulcão.
Meu corpo se incendeia
iluminando na candeia
a claridade e a sedução.
Estremeço e me torturo
e a cada gesto seu me seguro
para não explodir.
Apenas, em sonho a possui
e ao despertar, vejo-me
tristonho, mas novamente a sorrir

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SEMPRE ELE

Cantando e decantando em versos
o encanto, a procura de palavras
que reproduzisse seu canto.
Banhando-se de um amor doce
como se de flores fossem
a recolher seu pranto.
Suspiros sofridos voavam
como escravos a procurar alforria,
sem asas para alçar vôo, somente.
Resfolegando forte seu peito, invocava
aos Céus em oração perene
sua presença como presente.
Já cansado de trilhar sozinho
por esse mundo coberto de espinhos
rogava a Deus por clemência.
Caído, sem forças para continuar
em busca de seu bem-querer,
suplicava sua indulgência.
Quando não mais suportava
o peso do fardo inclemente,
por terra jazia o que lhe restava.
Sobre ele um facho de luz brilhante
clareava seu corpo e seu coração
e, bem a sua frente, ELE, ali estava.

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