Celito Medeiros
DOIS
FILÓSOFOS E LIVRES CANTANTES
... NO REPENTE DA TROVA
Martin Fierro - argentino & Celito Medeiros - brasileiro
Aquí me pongo a cantar
Al compás de la vigüela,
Que el hombre que lo desvela
Una pena estraordinaria
Como la ave solitaria
Con el cantar se consuela.
Da
solitária não sou o manto
Pois tudo posso desvendar
Canto e às vezes encanto
Deixe-me ir além do sonhar!
Pido
a los Santos del Cielo
Que ayuden mi pensamiento;
Les pido en este momento
Que voy a cantar mi historia
Me refresquen la memoria
Y aclaren mi entendimiento.
Tenho
o céu apenas em meu nome
Não desejo ajuda em pensamento
De memória clara não tenho fome
Pensar livre sim é o entendimento!
Vengan
Santos milagrosos,
Vengan todos en mi ayuda,
Que la lengua se me añuda
Y se me turba la vista;
Pido a Dios que me asista
En una ocasión tan ruda.
Não
espero santos milagreiros
Como não esperei por ajuda
Em todos estes terreiros
Tudo sem Deus me acuda!
Yo
he visto muchos cantores,
Con famas bien obtenidas,
Y que después de adquiridas
No las quieren sustentar:
Parece que sin largar
Se cansaron en partidas.
Sou
cantor do que já foi feito
Não procurei jamais pela fama
Estes tipos que ora encontrei
Hoje se encontram na lama!
Mas
ande otro criollo pasa
Martin fierro ha de pasar,
Nada la hace recular
Ni las fantasmas lo espantan;
Y dende que todos cantan
Yo también quiero cantar.
Cantem
o que desejarem
A liberdade para isto existe
Ainda precisam se ajoelharem
Assim como a prisão persiste!
Cantando
me he de morir
Cantando me han de enterrar,
Y cantando he de llegar
Al pie del eterno padre:
Dende el vientre de mi madre
Vine a este mundo a cantar.
Canto,
porém jamais morrerei
Um espírito não tem paternidade
O corpo que muitas vezes terei
Este sim, não terá a eternidade!
Que
no se trabe mi lengua
Ni me falte la palabra:
El cantar mi gloria labra
Y poniéndome a cantar,
Cantando me han de encontrar
Aunque la tierra se abra.
Não
me faltam as palavras
Para ensinar outros cantores
Afinal existem outras moradas
Onde renascem os amores!
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... apenas uma parte da trova ... <<<>>>
EU
SEREI DIFERENTE
Importa
e muito o saber
Não ficando só submisso
Difere do ser ou não ser
Mas tendo compromisso.
Sei o que sei e isto eu digo
Onipotente é coisa criada
Do conhecimento o abrigo
Ao espírito é coisa almejada.
Já disse que não sou criatura
Criado, apenas foi um corpo
Tenho a consciência madura
Eu ficarei vivo e ele o morto.
Corpos
posso tê-los muitos
Quem os tem foi por poder
Serão os próprios defuntos
O espírito sempre vou ser.
A
perfeição foi nosso começo
Religar isto é uma fascinação
Terei tudo o que eu mereço
Já passei também desta lição.
Obter
isto já é bem possível
Assim a iluminação também
Acho tudo isto muito incrível
Esta a evolução que convém.
Acabou
o medo do passado
Foi-se esta danada sujeira
De dizer não estou cansado
Para muitos é brincadeira.
Assim
que todos acordarem
De todo este tempo perdido
Aí serão os próprios deuses
Pelo entendimento contido.
APRENDER
E PODER VOLTAR
Assim
padece o coração
Marcadas pela ausência
O tempo sem clemência
Quer sempre renovação!
Esta nossa vida terá
replay
O bom teremos novamente
Assim não estará ausente
As tardes de Dancing day!
Poderemos repetir
o que foi bom
Deixar de lado o que nem tanto
Impedir qualquer outro tom
Cair fora de qualquer pranto!
Reencontrar os bons
amigos
Novamente na chuva brincar
Sentir a gostosura dos abrigos
Toda a saudade poder matar!
Roubar tantos beijos
Amar até muito mais
Satisfazer os desejos
Repetir outros iguais!
Do eterno a renovação
O espírito que somos
O corpo na pura ação
Isto tudo reviveremos!
Então façamos o melhor
Para podermos isto repetir
Aprender com o que foi pior
Mudar nosso modo de agir!
Valorizar amigos de
fato
Para todos reencontrar
Será maior o belo barato
Aprender e poder voltar!
AH
... OLHOS MEUS !...
Que felicidade a minha matando
a saudade que nunca me matou...
Que sutileza eu sinto vendo tanta beleza que ainda restou...
Que velhos pagos que tudo pago e nada apago!!!
Que corpo ainda forte dane-se a tal morte a vida é minha sorte.
Ah, meus olhos!...
Que a tudo vejo, a tudo percebo.
Quem bom ter sido gente
um pouco mais que apenas prudente
nem só contestador, contesto a dor!
Mas, a ninguém detesto por ter muito Amor.
BELA
TENDA
Ah! bela tenda
me atenda e mostre se prostre,
estenda o tapete, o jorrete, o pala me embale,
doçura, candura da bala.
Abra a garrafa, aqui está a taça... me faça!
Venha, sonho meu... me adule, encabule,
enterneça, faça nesta prece um só laço,
neste paço que não passo,
fico, dedico todo o encanto,
fica no canto, aí mesmo!
Ah! bela cigana,
abana e cabana, encha de cheiros...
Já estou pronto, esperei este momento,
já não aguento este espaço, amordaço o desejo...
Já sobe a lança, não balança, enrijece!
Chega aqui, doçura... mel que aprovo e provo,
aos poucos, como loucos, num só molejo...
O cheiro dos grandes fios, desafios,
a quentura de teu pescoço, orelha molhada, já salgada!
Peito que acalenta, mama que alimenta,
este faminto devoto, devoro, detenho...
umbigo profundo, forma do mundo,
sulco mediano, fios pequenos, enrolados,
enrosquilhados, roçar macio, gosto de veneno...
Doce abrigo, fogo ardente, não sou clemente,
avanço em tempo, lingua à frente!
exploro tudo, assim contudo, tão bom pra gente...
Rodo no eixo, o queixo em volta,
apoio inverso, sinto a quentura,
de lábios fortes, cobrindo o mastro...
o corpo enrijece, arrepio constante,
frio penetrante sentir imenso, prolongado espasmo...
corpo que se contorce, feito uma cobra paciente,
a outra uma reta, não segue o movimento, não pode...
vibração do todo, empinando na dança,
que balança, aos poucos cessa, esquenta e amansa!
Volto do giro, então cavalgo pelos prados,
alguns brados, próximo da vitória!
Gemidos constantes, de gata manhosa,
já nem prosa, só o silêncio... primeiro ato...
Traga a taça, sirvo...sou servo, seu amo!
PARA
NÃO DIZER QUE ESQUECI
Se foram poucos os momentos
Recordo e aprovo
Pelo que passamos
Senti o amor
Senti a graça
E vou pela vida
Se vai...
Fica a lembrança
Se me apego
Não nego, se juro
É fato
Então venha
Revivamos o tempo
Não existe lamento
Se ainda existo
Você é lembrança
Lembrança que trago
Que belo trago
Quando me lembro
É sentir a tontura
Da doce aventura
Juntos tivemos
E
O QUE VEM?
Se tropeço
Insisto
Caio
Levanto
Sigo
Desejo
Procuro
Às vezes alcanço
Nem sempre venço
Sempre luto
Sem luto enterro
O fracasso
O sonho..
Parto
Sem dor
Sem queixa
Sem lamento
Apenas suporto
Tudo o que passa
Só então
Se vai a noite
O escuro se vai
Amanhece
Vem o sol
O que foi
Lá fica
Já tudo vem
O novo, de novo
Aceito!
UM
RECADO DA VIDA
Quero esquecer!
Não, não esqueça
Compreenda, aprenda...
Nada esqueça
De tudo tire proveito
Da sina, que ensina...
Não adianta sofrer
Por algo que já passou
Compreenda, aprenda...
Nada será igual
Tudo muda
Você muda, mude...
Mesmo que não saiba
O que é bom também mata
Agora já sabe, não esqueça...
Então viva, reviva
Invente, reinvente
Sempre prossiga, siga...
Estou a seu lado
Num doce afago
Eu sou a vida!...
FOI
MUITO RÁPIDO
Foi apenas por um momento
Um deslize
Um descuido...
Muito rápido para ser visto
Passou
Se foi...
Nem ao menos pude pensar
Refletir
Concluir...
Já não posso mudar
Está feito
Escrito...
Mas serve como lição
Da vida
Do momento...
Agarrar enquanto posso
O que passa
O que vivo...
Viver de modo intenso
Tudo
Reinvento...
O passado passou
O futuro
Eu mesmo faço!...
DESCULPE,
SOU DIRETO
Vou confessar
Que não gosto de galinha
Sou homem
Não combina!
Se não gosto de titica
Por que me sujar
Existem poleiros
Não no meu altar
Confesso
Não aprecio tal risoto
Pois fico com arroto
Só em pensar
Mude
Vire gente
Ou vá para o galinheiro
Onde é seu lugar
Não diga que sou xarope
Pois não sou o remédio
Para tanto tédio
Que não posso curar
Somente um vagabundo
Que vaga
Pelo mundo
Consegue te aturar
Agora confesso
Meu forte sempre foi Ser honesto
E saber a quem amar!
CONFIAR
É PRECISO
Socorro!
Nos salva, se não morremos todos...
Socorro!
Fui pego, muitos estão comigo...
Calma!
Tem calma
Estou aqui, sempre estive!
Pensa... tu és forte
Todos são fortes
Estou convosco!
Agora... olha para a luz
Segue este rumo
É a saída!
Confia... sou teu amigo
Não me chamaste?!...
TOCANDO
POR DENTRO
Teu corpo
É apenas um corpo
Entre tantos que eu vejo
Teu semblante
Para muita gente
É figura que encanta
No beijo que sinto
Agora não minto
Não tem uma boca
És minha amada
Coisa sagrada
É como vejo
Se perto
Ou se longe
Sempre me toca
É tua alma
Não tua massa
Que me prende tanto
Sou preso
Estando solto
E quando envolto
Feliz me sinto
Gosto de tudo
Mesmo as desavenças
Pois é contigo
Que tudo tenho!
VÁ
EMBORA SOLIDÃO
Tenho o amor da minha vida
Vou curar toda ferida
Que ainda possa restar
Ela é meiga, carinhosa
Mas bastante manhosa
É assim, deixa estar
Fui atendido em meu pedido
E o amor quase perdido
Não vou deixar escapar
Sou fiel e sou feliz
Vou criar minha raiz
Nunca mais estar ausente
Dos erros de meu passado
Quero deixar tudo de lado
Sendo feliz completamente
Vai embora solidão
Não visite nunca mais
Este nobre coração
Me deixa viver em paz
POBRE
EU NÃO FICO
Dinheiro não traz felicidade
(Se for pouco me diz alguém)
Porém se tiver de verdade
E souber como convém
Desfrutar de tal benefício
Me diga em qual idade
Você fará melhor isso
Poderá dele desfrutar
Mas me dê para gastar
Uma pequena fortuna
Que na idade que emplacar
Não deixo nenhuma lacuna
Ser rico não é defeito
É isto sim uma tragédia
Achar que pobre é satisfeito
Mesmo na sua comédia
Quem é rico que desfrute
Como melhor lhe convier
Ainda que pobre mamute
Quero comer um caviar
Não posso ser um folgado
Para um dia desfrutar
Como aquele rico danado
Que só soube me esnobar
Deixem pra lá o dinheiro
Não traz felicidade
Burro do trambiqueiro
Que não cai na realidade
Se der duro o ano inteiro
Terá a mesma facilidade
Deixem pra cá o dinheiro
Se for rico é perdição
Me tornarei muambeiro
Será essa minha profissão
Mas pobre e no galinheiro
Isto eu não fico não!
SÓ
PENSANDO NAQUILO
Dinheiro!
Desgraçado
Abençoado
Amaldiçoado
Te quero
Te gosto
Te espero
Te desejo
Não preciso...
(Sou mentiroso)
Não traz felicidade...
(Se for pouco!)
Não adianta!
(Já disse que minto)
Bastante!
(Na hora certa)
Toda hora!
Vem!!!
Vai trabalhar!...
(Nossa!)
Viste?
{Adoro ser pobre... (já disse que minto!)}
