Sempre foi meu desejo fazer uma amostra na Associação Fluminense de Belas Artes (AFBA) por estar ligado a ela desde os tempos em que estava sediada no Grupo Escolar Raul Vidal, velhos tempos dos mestres Aluízio Valle, Ary Duarte, Cadmo Fausto, Bráulio Poiava, Dante Croce e tantos outros que foram, indiscutivelmente, formadores de uma consciência artística em Niterói.
          Mesmo de longe acompanhei a trajetória da velha Escola mantida pela AFBA por aproximadamente 40 anos ao longo de sua existência e, a partir de 1995, passei a participar das suas atividades com certa constância, sempre esperando vê-la revitalizada, como um importante polo indutor das artes plásticas, com a volta dos seus inúmeros cursos e salões anuais, que em épocas passadas, uniam os principais artistas dos antigos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro. A verdade é que a AFBA, apesar de todas as suas fases, se mantém viva, a duras penas e já por sessenta anos.
          Como a pintura tem sido um amor dos meus últimos anos, faço dela quase um ato escondido, participando sempre de coletivas e evitando exposições individuais, todavia, parti para esta Exposição - Pequenos Formatos sem qualquer relutância, pois o objetivo é marcar presença na vida da AFBA e de homenagear Milton da Costa e Aluizio Valle, cujos nomes de salas dados nesta Associação, fui eu um dos maiores defensores na sua escolha. Aluizio Valle foi o mestre dos muitos bons marinhistas de Niterói e Milton da Costa, também desta cidade e falecido há poucos anos, que, por sua inegável importância no cenário artístico brasileiro, está a merecer uma retrospectiva em nosso Museu de Arte Contemporânea.
(de Figueiredo)