Mãe- terra,
somos indignos de ti,
somos omissos contigo,
somos omissos com vossos filhos,
somos omissos com nossos filhos.
Não os amamos!
Pois se os amássemos,
cuidaríamos de ti Mãe-Terra,
com cuidados de recém nascidos,
respeitando tuas limitações.
Todos os vossos filhos,
amariamos como nossos,
educando, respeitando e ensinando a respeitar.
Não os corromperíamos,mostrando que a medida de nosso amor,
é a medida dos brinquedos caros que podemos comprar.
Não macularíamos sua inocência com nossas iras e carnalidades,
mataríamos nossa sede de portas fechadas,
e em silêncio,
pois o tempo é mestre de si mesmo.
Não os prostituiríamos.
Não os assustaríamos com tiros de pistolas, fuzis, morteiros
e canhões.
Não os faria membros de times ou grupos, de territórios ou nações.
Não enalteceríamos nossas diferenças.
Seríamos somente filhos de ti, Mãe-Terra.
Mas,somos filhos
rebeldes,
amantes de nós mesmos,
e do que podemos possuir.
Do que podemos possuir e conquistar.
Do que podemos
devastar e nos vangloriar.
Sim, somos amantes das glórias e das posses,
e então morreremos e matamos pelas posses,
vivemos e somos possuidos pelas posses!
Somos seres medíocres e indignos.
Bestas primais.
Mãe-Terra,
nós poderíamos,somente contemplar e gozar,
mas preferimos tomar.
Poderiamos somente compartilhar,
mas preferimos dividir.
Sabe Mãe-Terra,
não somos filhos teus,
somos filhos da América,
sem nenhuma exceção,
amantes dos confortos do corpo e do deus dólar.
Nós podemos tudo!
Somos filhos da liberdade.
Podemos corromper, prostituir, drogar, matar.
Somos filhos da liberdade,
e a defenderemos com um M-16.
Fuck you!
Fuck you, men! Literalmente.
Nós somos filhos
da América.
Somos filhos da liberdade,
e também seus reféns.
Mãe-Terra,
por favor,
consuma-nos,
absorva-nos,
transforma-nos em pó novamente,
pois somos indignos,
indignos de ti,
Mãe-Terra.
Poesia
referente a Obra <<>> Anderson
Kelly (02/10/2002)