A
escultura de Ivonne Löfgren transcende os estados conhecidos da
realidade, inserindo-se na natureza e penetrando nas profundezas
da mente. Sensibilidade e método permitem à artista modelar o belo
e resguardar o sublime, fugindo da massificação e da banalidade.
Exercício
místico, transe energética, lapidado impulso psicológico - assim
se pode definir a escultura de Ivonne Löfgren.
Pesquisadora,
criadora ambiciosa e dinâmica, Ivonne traduz, com suas esculturas,
toda uma energia e determinação de vencer. E vencer significa muito
mais do que apenas exprimir com meios e técnicas ao seu alcance
aquilo que brota de dentro , naivement. Vencer significa aprimorar
a técnica ao ponto de levar a sua obra ao reconhecimento pleno,
aqui e sobretudo no exterior, onde a disputa de espaço é muito mais
acirrada e onde não há lugar para o autodidatismo.
Para
chegar à sua primeira peça, Ivonne Löfgren estudou dez anos, primeiro
em Paris e depois na Suécia, a fim de conhecer e dominar as técnicas
de escultura. Especializou-se em restauração, o que lhe permitiu
entender os processos de fundição, solda, polimento, etc. Em 1979,
produziu suas primeiras esculturas, em bronze ou gesso. Aos poucos
foi descobrindo outros materiais, e hoje, seus trabalhos misturam
cerejeira, mogno, mármore de Carrara e granito a Tijuca e da Bahia.
Figurativas
a princípio, as esculturas de Ivonne Löfgren atualmente são de um
abstracionismo estudado, intelectualizado. Frutos de suas pesquisas
sobre possíveis combinações e variações de materiais, elas atendem
as mutações lógicas em torno de uma só idéia, até que esta se esgote
para dar lugar a outra mais nova. E com esse desenvolvimento de
técnicas e idéias, o encontro com a tecnologia era inevitável -
Ivonne abraçou a era da informática e não hesita em usar o computador
para seus cálculos de prumo e volume. "Namora" o raio lazer e persegue
as inovações técnicas de que toma conhecimento ao ler avidamente
as muitas revistas de arte que assina.
Em
1988, sua mostra individual em Paris, na Maison Torrente, foi um
grande sucesso de público e de venda, além de lhe ter rendido alguns
dividendos paralelos; foi convidada para expor no Fine Arts Museum
de Boston, onde também iniciará um ciclo de conferências sobre arte,
que será repetido no Rio de Janeiro e mais tarde no Centro Pompidou,
em Paris. Para estas palestras, Ivonne teve que estudar muito, e
seu tema central, os últimos cem anos na escultura, só pôde ser
desenvolvido por ela, a partir da pesquisa do assunto sob o ponto
de vista filosófico e psicológico, que é o que verdadeiramente explica
a corrida em direção ao abstracionismo. A preparação para essas
conferências é vista pela escultora como mais um passo no aprimoramento
de sua arte e possível caminho para futuras descobertas estéticas.
Em
suas esculturas, que a artista define como "meios especiais, desdobráveis",
percebe-se sempre a continuidade de um tema e uma forte influência
do design escandinavo, fruto de sua longa vivência na Suécia. O
resultado está bem nítido em suas peças, cujas formas são concebidas
e construídas dentro de um total rigor e método, onde o domínio
da técnica se impõe à obra e dela arranca os resultados planejadamente
premeditados.
Ivonne
não nega o figurativo e a ele volta de vez em quando, como exercício
de escultura. Mas o que atrai e fascina realmente são os estudos
sobre o desdobramento do círculo, as possibilidades das linhas curvas
e o impacto, visual e sensorial, na relação entre diferentes materiais,
quando estes trabalham juntos na mesma obra. O impacto na obra de
Ivonne Löfgren está na elegância e simplicidade de suas esculturas,
onde aflora a sensibilidade da artista, sente-se a busca da harmonia
com o cosmos, observa-se um intelecto que apreende as formas da
natureza e as transforma em arte e energia.
